sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ghost Bike... quando as baixas de trânsito se banalizam!




         Mais uma ghost bike... Seria bom acreditar que uma grande parte dos motoristas compreendessem a necessidade de uma ação como esta... uma Massa Crítica extraordinária, chamada de Ghost Bike, possui um apelo social que deveria ser do alcance da maioria dos seres humanos. Ao que parece, como em uma tradicional guerra, pouco importa quando morre alguém. Parece que se importa com uma perda, apenas quem esteve ao lado, ou quem conhecia o usuário daquela ferramenta que chamamos de corpo. Dizer o óbvio muitas vezes parece um ato estúpido, mas lembrar é preciso, pois as pessoas parecem esquecer. Então digo... todo corpo é dotado de um consciência, sentimentos, e como resultado disto é possuidor de amores. Você entende isto? Alguém que tem a capacidade de gritar: "saiam vagabundos", "seus FDPs". Estas expressões vieram de um motorista profissional, ao volante de um automóvel laranja, taxista de Porto Alegre. Não foi único... muitos outros taxistas que por ali passaram fizeram o mesmo. Seria algum tipo de síndrome do volante constante que transforma estes profissionais em insensíveis ou eles simplesmente oferecem ao mundo o que são como pessoas? Gênios, evidentemente que não são... para dirigir basta passar no exame que não é nada seletivo. Uma importante fração destes momentos de Ghost Bike fica justamente para as reações dos motoristas. Elas são sim um termômetro do que temos nas ruas. Reflexões de ciclistas apreensivos... também! Uma bicicleta pendurada em algum lugar para gerar perguntas... em todos, qualquer um! Em certo momento, passou um motorista e perguntou: "O que aconteceu?", e um ciclista respondeu: "perdemos um dos nossos para o trânsito!" Deveria gerar impacto, não?
          Vou lhes dizer... sempre que sei de uma perda, penso a mesma coisa. Como vai ser a vida de quem ficou? Dá pra aguentar? A distância entre as pessoas, quando é por motivo de mudança ou situação de escolha profissional (ou de outra natureza), gera um dos sentimentos mais difíceis de lidar... a saudade! Quando alguém vai morar em outro lugar, isto é difícil, quando alguém parte deste mundo, então penso que é impossível. Saudade por afastamento definitivo... não tem como aceitar isto!
        Cabe a nós lutar por condições melhores e por respeito. Assim, talvez. menos vidas sejam perdidas... para que talvez, em uma situação ideal, jamais se percam histórias de família. O trânsito é uma resultante de nossa necessidade... ele não pode ter prioridade sobre as vidas. O trânsito existe para transportar vidas... não para encerrá-las! Hoje, ciclistas se uniram para protestar, trancaram as vias, chamaram a tua atenção... vc chegou mais tarde em casa! Dias atrás foi um ciclistas que não chegou em casa! Não banalize nossas perdas... a massa crítica de uma ghost bike é mais que um protesto, é um "velório"!