segunda-feira, 29 de junho de 2015

Audax 200 km do Vinho 2015

Foto: Roberto Furtado

Foto: Roberto Furtado

Foto: Roberto Furtado

Foto: Roberto Furtado
             Vamos lá... Bom, vou começar por uma questão relativa ao Bikes do Andarilho e ao meu trabalho. Muitos dos leitores perceberam a presença de dois domínios aqui no blog. Isto faz parte de uma estratégia de visibilidade e parcerias que estou tentando firmar com o mercado americano. O mundo fala o inglês e a combinação de letras e pronúncia do "LH" não é claramente compreendida por estes que falam o idioma em questão. O americano ou qualquer outro ciclista que fale inglês entende muito melhor o Bikes and People. Então vcs verão realmente logos com Bikes and People, que não é apenas uma nova logo e novo nome, mas é também uma nova ideia sobre a forma que vamos destacar a bicicleta. Falarei mais adiante sobre esta ideia e sobre as ações relacionadas, mas por hora haverá sim dois endereços para este espaço. Acredito que o público do Audax seja também o mais antigo que por aqui passa e por isto não poderia deixar passar esta oportunidade para comentar a questão do segundo domínio. Estas ações envolvem a Revista Bicicleta, com que tenho trabalho nos últimos 4 anos. 

Audax 200 km do Vinho

                  A prova, como se esperava, foi boa, dura e teve forte ajuda do clima. Esta seria uma prova talvez, muito perigosa se estivesse chovendo, mas afinal, todo audax com fortes descidas seria perigoso com pista molhada. Quem fez pela primeira vez, talvez não soubesse quão duro pode ser um audax, mesmo que seja "apenas" um 200 km. A teoria de que um 200 km é o passeio mais duro que um ciclista pode enfrentar não é inverdade. Se 200 km pode ser ainda um passeio pesado... este é o 200km, já os 300 km, na minha opinião é uma prova mesmo, pq vc vai passar mais tempo pedalando do que qualquer outra coisa naquele dia. Isto já pode ser chamado de prova de fogo... quem pode vencer o sono, o corpo, uma guerra interna entre persistir e as dores e cansaço do corpo? Acredite, 200 km é um passeio pesado! Para uns, um imenso esforço, para outros é como ir a padaria de bike. Mesmo para quem vai a padaria, como o ilustre ciclista e amigo Alexandre Paiz, que frequentemente realiza as provas mais duras do estilo Audax e mesmo assim perdeu o controle da bicicleta. Quem conhece Alexandre sabe que ele é um dos ciclistas mais experientes que se pode ver em uma prova de longa distância, mas isto não o deixa livre de certas circunstâncias. Fortes descidas, areia, pedrinhas, e até mesmo água que descia da montanha e cruzava a pista. Estes poderiam ser motivos para derrubar um ciclista, independente de experiência. Felizmente, não houve maior gravidade com Alexandre... apenas escoriações, mas ele que nunca desiste, não se abalou e venceu mais uma vez a si mesmo. Estas são as histórias que se criam junto de uma prova... quem supera o que? A si mesmo... mas em quais condições? Vento, chuva, quedas, resfriados, problemas com a bicicleta? Grande é aquele que sabe como lidar com a situação... ser forte não é ser indestrutível, mas saber como lidar com o imprevisto e acreditar em si mesmo! Parabéns Alexandre, estamos orgulhosos!
Muitos foram os ciclistas que desafiaram os 200 km que levava de São Leopoldo para Caxias do Sul em um trajeto de muita beleza... beleza que só pode ser vista com os próprios olhos. E aí esta um dos prêmios para quem acompanha a organização e os atletas neste esforço em conjunto. Quem participa como acompanhante ou voluntário consegue ver de longe uma situação especial de superação de sonhos. Viver um momento destes é materializar um sonho de pedalar por aí... parabéns a todos que tornam viável o sonho destes ciclistas. 

Homenageado de prova - Claudemir Sperandio
                  
               O mundo não é aquele mar de estradas seguras que desejamos para nossos amigos. O mundo é hostil para quem se aventura nele. Parece que esta foi uma regra condicionada ao dia em que nascemos. Saímos de casa, achamos que vamos voltar, mas não temos garantia alguma. Poderia ter acontecido com qualquer um de nós o que ocorreu a Claudemir. Viver nas ruas e nas estradas, como pedestre, ciclista, motorista ou passageiro, nos coloca em uma situação de risco. Há meios de reduzir os perigos, mas eles continuarão existindo... Lembro de um caso. Um homem trabalhou anos a fio como motorista, cauteloso na condução de um ônibus intermunicipal, viveu a vida trabalhando até se aposentar sem jamais envolver-se em um acidente. Um certo dia, atravessava a rua e foi atropelado por um motociclista em um bairro tranquilo de Porto Alegre. Esta história nos diz que cuidado é necessário diariamente, mas que mesmo assim, estamos sujeitos as condições impostas pelo mundo que construímos. 
Nosso colega e amigo Claudemir viveu um sonho... ele foi lembrado em um minuto de silêncio no briefing da Sociedade Audax de Ciclismo, certamente foi lembrado por muitos que não conseguem esquecer um rosto. Durante a prova, muitos lembraram dele... ele conviveu com aqueles que amava, pedalou pelas estradas e se tornou um ciclista experiente. Ele realizou o sonho de ser randonneur 5000, completou o Giro do Chimarrão em 2012 (Audax 1000 km). Embora fosse do Paraná, pedalou algumas vezes entre os gaúchos. Claudemir perdeu a vida no Audax realizado em Santa Catarina, neste mês de junho de 2015. Nossa tristeza por perder um ciclista nos coloca muitas vezes em dúvida sobre continuar um trabalho com estradas, mas nós lembramos o caso de quem atravessa a rua e os riscos que vivemos todos os dias. Se perdemos um ciclista, ganhamos a força de alguém que nos serve de exemplo. Sigamos com força nos nossos propósitos pessoais ou da bicicleta, amando quem devemos e precisamos, pois tudo isto... a vida, se resume em amor. O único sentimento que nos permite existir através dos tempos é o amor! Ame seus amigos, sua vida, seus objetivos! Faça valer a pena este presente temporário... se a vida é passageira, então que ela seja intensa de bons exemplos, bons sentimentos!