quarta-feira, 29 de abril de 2015

Malandragem... e ansiedade nos motores!

Foto: Roberto Furtado
       Hoje, experimentei duas situações distintas da vida de ciclista. Sabe quem me conhece, que há tempos, não sou mais o ciclista que fui um dia. Ainda que seja um ciclista eventual ou de objetivos modestos quando ligados a bicicleta, mereço todo e igual respeito que outro ser humano. Ou melhor, somos cidadãos, merecemos todo respeito do próximo.
         A primeira experiência foi com minha a ida ao correio. Peguei a nova Giant e fui ao correio levar notas fiscais que envio para os clientes. Ao chegar no correio, lá estava o segurança do correio que estava sentado ao lado da porta, porem pelo lado de dentro. Ele me conhece e sabe sempre deixo a bike ali. Eu fui para o fundo da agência para ser atendido, mas sem tirar o olho da bike, que na verdade estava a menos de 5 metros de mim. Cuidando o movimento da rua enquanto a atendente calculava o valor das cartas, vi que um sujeito passou pela calçada e olhou para a bicicleta, mas foi adiante. Menos de 20 segundos depois, ele voltou e ficou fora do meu ângulo de visão, mas em um local que para chegar na bicicleta, precisaria pular a grade para alcançar. Fiquei de olho pq vi que era malandro... então, ele se fez de louco e foi na direção da bicicleta. Eu já estava me aprontando pra voar pra rua, quando o segurança abriu a porta e se fez presente dizendo: Fala meu amigo! O que tu estas procurando?" O cara perdeu o rebolado... ficou ali falando coisa meio perdido, dizendo que procurava um endereço, blábláblá. E eu vi que tinha escapado de uma boa... mas eu acho que ele não ia ter tempo de dar a segunda pedalada antes de ser parado pela gola da camiseta.
A segunda foi no trânsito... descendo uma lomba pela faixa bem da direita (Oscar Pereira), vi que adiante um automóvel ligou o pisca, sinalizando que iria converter a esquerda. Atrás deste automóvel vinha outro, que reduziu, e resolveu trocar de pista bem na hora que eu estava passando. Quando me vi naquela situação trouxe a bike pra perto do meio fio... tudo que deu e acionei os freios da bike. Mantive o equilíbrio e escapei de uma outra boa... mas gritei com o motorista. Logo ali adiante, como fechamento da sinaleira, encostei ao lado do automóvel e bati suavemente no vidro... "ô meu amigo, não me viu?" E disse ele: "Vi sim, mas percebi que podia passar junto!" 
Devolvi, "cara, tu podia ter me derrubado lá atrás!" Ele respondeu: "Tu não tem mais nada pra fazer?" Como quem diz... "tá de bicicleta, né vagabundo!" E eu disse... "não, não tenho mais nada pra fazer, só sei andar de bicicleta."
Me fui, com um sentimento de angústia, domado pela quase maturidade... é melhor deixar quieto, pq não existe lei e nem bom senso, e quem vai perder sempre é quem esta sobre a magrela. E hoje, mais uma vez, tive a sorte de não perder a bicicleta e de voltar pra casa, pois lá fora esta passando um filme de terror por 365 dias do ano, que começa, termina, e reprisa outra vez. Cuidado é preciso... um cuidado maior do que cuidar de si mesmo, uma atenção redobrada contra a desatenção de quem dirige, mas também contra quem é desfocado em termos de certo e errado.