segunda-feira, 20 de abril de 2015

As peças da Giant ATX... o que vai ser deste projeto?

A - levei tudo para casa, ainda empacotado... não parece um presente? Pra mim mesmo!

B - pedevela integrado Shimano Alivio para 9V, reduzido... 22-30-40 dentes nas coroas. 

C - trocadores sem maçanetas... SL-M4000. Bem leves... 

D - cambio dianteiro do grupo para 27V.

E - cambio traseiro Shimano Alivio... lembra muito os primeiros SLX, não?

F - pedais PD-T400... e a história do novo conceito de tacos de sapatilha. 
                  As peças estão fotografadas... eternizei para marcar mais esta etapa do processo de montagem de uma bicicleta. Neste caso falamos da Giant ATX que publiquei dias atrás. Fui na Adventure Bike Shop e troquei uma ideia com o Ricardo. Ele fez um preço legal no material e escolheu para mim o conjunto de materiais baseado no quadro. Levei o quadro até a loja para eles escolherem as peças, mas se basearam na minha intenção de montagem. Saí da loja com um conjunto de câmbio e relação de marchas de 27V, modelo Alívio (versão reduzida). Este modelo de relação de marchas foi desenvolvido para bicicletas de rodas 29" e 27,5", mas quando eu vi que era esta opção, fiquei mais interessado ainda, mesmo que a bike seja 26". Isto pq minha maneira de pedalar mudou muito... eu digo sempre, a velocidade certa é a velocidade que vc sente conforto. Quem pedala mais de 100 km em uma MTB, não esta tão preocupado com velocidade, mas sim com o ritmo certo para chegar bem inteiro ao objetivo. E acho que esta opção de relação vai ser muito boa... pq vou passar em trechos cujo caminho não vai dar para desenvolver grande velocidade, mas vai ser preciso ritmo. Isto vai ser muito bem observado... mas acredito que nos primeiros pedais já entenda se é isto que preciso (ou avaliar para os amigos com boa precisão). 

A - Bem, cheguei em casa com a sacola, bonitinha... tipo criança que chegou em casa com os brinquedos novos, e minha esposa viu logo que era bem este lance de chegar em casa com "as tuas coisinhas" no meio da sala! Pois... assim é, cada idade com seus brinquedos! Aliás, nós somos ciclistas... e ciclistas são crianças grandes. A brinquedo mais maravilhoso que uma bicicleta? 

B - O pedevela de coroas 40 - 30 -22 me trouxe duas impressões em primeiro momento... achei ótimo ele ter coroas pequenas para eu andar no ritmo mais confortável e passar por terrenos bem acidentados. Contudo, fiquei preocupado quando soube que o BCD das coroas de 40 e 30 dentes era diferente do tradicional, assim como acontece nas opções para road bikes, da shimano, que tem os modelos tradicionais com BCD 130 e, BCD 110mm, no caso dos compactos. Resta saber se a shimano vai conseguir abastecer o mercado de forma adequado com estas reposições diferentes. Afinal, um pedevela de 350 reais, de preço médio, não é tão baratinho para ser simplesmente substituído inteiro. Seu proprietário vai querer repor as coroas assim que elas estiverem gastas. Isto só o tempo dirá. Outra questão que pode agradar alguns ciclistas... o peso do pedevela é baixo. Não tão baixo quanto um top, mas mais baixo do que os tradicionais de mesmo nível. Resta saber se é tão forte quanto... mas parece que isto não é um problema pelo que pude pesquisar. Há mais benefícios neste novo alívio, do que pontos negativos... e que belo acabamento. Exceto pela parte posterior dos braços do pedevela, eu diria:"perfeito"! No entanto, acho que se vc quer perfeição, deve procurar por algo mais caro... eu, neste momento, estou procurando relação custo X benefício.

C - Os trocadores de 9 velocidades sempre me deixaram menos confortável que os de 7 e 8V, mas a tendência nos sugere que daqui algum tempo deve ter opções com mais velocidades ainda. Não arriscaria apontar para onde isto vai acabar, mas me pergunto sempre se isto é realmente necessário. E já deu pra ver que nem era tanto... pq em outros tempos as coros de três velocidades do pedevela eram uma obrigação, estão fazendo pedevelas com coroas duplas, e tem ciclistas usando coroa única na frente. E diante da apelação de mercado por multiplicar as coroas do pedevela pelo número de opções do cassete resultava em X velocidades, agora isto iria por água abaixo. E mesmo sabendo que não dava para usar tudo pq cruzava a corrente e blábláblá, me vem o mesmo mercado querendo reduzir o número de opções na frente e aumentar atrás. Peraí... tá me tirando? Pedevela de coroa única, quando centralizado corretamente, vai entortar corrente da mesma forma que o uso inadequado, pois agora temos cassetes de 11 velocidades. E as correntes são mais finas ainda... e sendo mais finas, lateralmente elas sofrem mais influência ainda deste "cruzamento". Não é mesmo? É muito pano pra manga... vou parar por aqui. Adotamos os trocadores de marchas tipo "SL" pq eles vem sem maçanetas de freio. Isto pq agora vamos aplicar freios mecânicos, mas talvez para frente usemos freios hidráulicos. E mais para frente explicarei isto... o que importa é que teremos uma bike de 27V, controlados por estre trocadores que devem ser muito confiáveis. Rapid Fire é um assunto dominado e revirado para a Shimano... duvido que alguém faça melhor, e mesmo que faça, isto não vai desmerecer em nada o produto deste fabricante. Não tem errada colocar trocadores alivio... é garantia de sucesso. 

D - Bem, o câmbio dianteiro também já é um assunto muito bem dominado pela Shimano. acho que tem muito pouco pra falar deste componente. Cuidando para instalar uma peça de angulação correta e abertura correta para o pedevela, não tem como erra. Se vais aplicar um cambio dianteiro... use compatível e não vai ter fracasso nesta história. Tem uma coisinha que é relevante fala, apenas, principalmente neste caso de pedevelas integrados... é preciso que o montador instale as rodas primeiro, com pneus cheios e tal. Na hora em que ele colocar o pedevela e o cambio dianteiro, já vai tirar "uma febre" se o pneu não vai pegar na gaiola do cambio dianteiro. É comum a ponta do cambio encostar nos pneus largos. Só que isto pode estragar o equipamento que neste contato se torna frágil. Tudo pode ser muito frágil se mal aplicado... entretanto, quando bem instalados, só um infortúnio pode danificar um componente. Escorregou e bateu na pedra... bem, aí não tem componente forte mesmo!

E- O câmbio traseiro alívio desta geração me deixou bastante espantado... uma peça com design muito bonito. É uma característica da shimano remodelar os componentes todos os anos, evitando ou impossibilitando qualquer concorrência. Pra mim, alguém trocar um grupo shimano por outro... no campo do MTB acho loucura, embora o SRAM seja até melhor na visão de alguns bikers. Ou se Campagnolo no campo das road bikes. Sei lá, acho meio complicado trocar 6 por meia dúzia, tem que apresentar algo muito melhor para me fazer mudar de ideia de algo tão popular e eficiente como estes grupos intermediários da shimano. Mesmo nos tops... não sei, acho que é uma questão muito pessoal. E em questões pessoais reside aquela questão de experimentar e ver o que sente ao andar. Eu nunca me adaptei bem com aquele lance de trocadores de marcha de revolução na manopla, acho a maior fria. Outros ciclistas, bem mais experientes que eu, adoram! Então, temos que cuidar para não misturar gosto próprio com questões verdadeiras do uso. O cambio traseiro é o coração da bicicleta... se o trocador estiver bem alinhado com o cambio traseiro de qualidade, as trocas de marchas serão precisas e rápidas. Todos os cambios alivios, traseiros, desde os anos 90, que utilizei, nunca me deram frustração. Pelo contrário, todos funcionaram muito bem. Hoje, isto não seria diferente, exceto pelo acabamento que esta fantástico e na versatilidade das 9 velocidades... que acho até um exagero. Quem já fez um audax 300 km com 14 velocidades, vai achar que 27 esta sobrando espaços entre os extremos. Não é mesmo?

F - Os pedais... cara, este lance dos pedais esta me intrigando. Estou ainda estudando os pedais, pela questão dos tacos compatíveis e de finalidades diferentes. Não me atrevo a dizer o que é melhor sem colocar no uso. Por hora posso dizer que os pedais tem excelente acabamento, uma boa proposta, e parecem muito com o que já idealizei em termos de formato e mecanismo. Acho pouco provável que estes decepcionem a mim ou a vcs. Vamos ver como se dá o teste prático... 

Esta semana o Tchaka fará a montagem e lá devo conversar com ele a respeito das minhas próprias observações. Algumas questões não chego a comentar aqui, pq sei que precisaria de uma foto com setas para explicar, mas na verdade não estou vendo nada de incomum sobre as peças. As coroas diminuíram, os materiais evoluíram, mas não vi nenhum artifício que fosse inexistente em anos anteriores. Algumas peças, como o cambio dianteiro foram abusadas no material polimérico (plástico), acho que pode ter uma questão econômica, redução de peso e até aumento de resistência em alguns casos, mas fiquei meio preocupado com a rigidez e desgaste das peças móveis. Contudo, quem faz isto é a Shimano e eu sou apenas um crítico. Sei que tenho conhecimentos específicos bem elevados para um crítico de tecnologia em bicicletas, mas um fabricante testa produtos por muitas horas. Eu tenho certeza de que tudo é muito pesquisado e testado pela shimano antes de ganhar as ruas e trilhas. E a gente não viu nada ainda... se tratando de evolução de componentes, isto é apenas o começo!

Agradecimentos
Quero agradecer, nesta oportunidade, ao Ricardo Machado da Adventure Bike Shop por me apoiar mais uma vez. A bike shop esta sempre acompanhando meu trabalho, valorizando os projetos e me motivando nesta estrada. As sugestões foram de grande valor para este projeto. É pensando junto que a gente pensa grande... e não tem travessia impossível quando estamos amparados por gente amiga. Se este blog caminha a mais de 7 anos, se deve a pessoas que acreditaram nesta proposta informal e descritiva da bicicleta. Informal é muito melhor, não é mesmo? A gente se sente em casa! Vc é de casa!