domingo, 1 de junho de 2014

A espiga... corte, redução ou aumento. 1ª parte


 Um colega biker nos escreveu perguntando sobre o velho tópico de aumentar a espiga, então resolvi fazer uma nova postagem com os esclarecimentos que ele solicitou. Quem for procurar aqui no Bikes do Andarilho vai achar algumas postagens referentes a esta operação. Fiz de novo, pq na próxima postagem vou mostrar a espiga em questão devidamente soldada. Eu peço para o interessado não fazer isto em casa... mesmo que se ache um grande soldador "da solda elétrica"! Nossa maior preocupação deve ser com a segurança.
Bom, se ficou claro não faça isto em casa... vamos ao desenvolvimento do projeto. Observe que na primeira foto da postagem a espiga já aparece cortada e com um tubo por dentro. Existem ferramentas próprias para cortar tubos de forma perpendicular com quase exatidão. Fica muito bom... e na verdade é o mesmo princípio da ferramenta de corte de espiga. Quando vc compra uma suspensão ou garfo rígido separadamente do quadro é comum que a espiga seja extremamente longa. A espiga é encontrada em outras literaturas com nome de steering tube. Algumas pessoas pessoas chamam de crown, porém isto é incorreto, pois este seria o nome da fração logo abaixo da caixa de direção, que une as "canelas". É relevante que o leitor observe o nome correto para efeitos de bom entendimento do que precisa pedir a um profissional. Já vi ciclistas perguntando em lojas sobre como aumenta o "cano" da direção. Cano é pra rede de água... aqui é o assunto é tubo, e quando o mesmo pertencer a bicicleta, possui também um nome específico... seat tube, chain stay, steering tube. Este último é o nosso objetivo. Bom, volta-se ao assunto. Em finalidades esportivas, competitivas, este excesso de espiga é um problema, e não uma vantagem. A espiga vem comprida do fabricante justamente para que o usuário possa escolher o tamanho desejado.  Normalmente, pilotos gostam de utilizar espiga bem baixa, onde o espaçador é representante único e em muitos casos de apenas 5mm. Cada um sabe a altura de conforto sobre a bicicleta, mas estas ações devem ser bem pensadas. Se tratando de suspas de boa qualidade, geralmente possuem steering de alumínio. Se a intenção for rever o processo, com finalidade de recuperar o conforto ou a reutilização da suspensão em outra bicicleta com frente maior, então troque de suspensão. A operação de aumento de espiga é para "passeios" e com exclusividade para tubos de aço. Aventurar-se sobre emendas é um ato arriscado quando houver prejuízo de estabilização entre as faces que devem ser unidas. A única forma segura de realizar a união entre dois tubos é esta das imagens e que descrevo agora, em tópicos.

1) Corte (para steering novo muito comprido)
- Quando a espiga for comprida e for desejado o corte, basta levar em uma boa oficina de bicicletas para realização deste procedimento. Isto é extremamente seguro. Quando a intenção for realizar rosca novamente, para caixa de direção com rosca, existe também uma ferramenta para realizar o passo de rosca na medida correta. Observe que este procedimento de gerar rosca, não se aplica em casos de aumento de espiga, primeiro porque a bucha interna para o reparo será limitadora na inserção interna da mesa; e segundo porque a sugestão para aumento indicada fica muito melhor para sistema ahead set, cuja mesa de guidão prende-se por fora da espiga. 

2) Corte (para aumento de steering)
- Esta é uma operação para pensar... Vc deseja aumenta o steering em 6 cm para fins de maior conforto. Bom, então vamos planejar. Para algumas pessoas que se aventuraram em descrever este procedimento, sejam técnicos da indústria metal-mecânica, entusiastas da oficina ou engenheiros, existem apenas duas alternativas na escolha. Sendo a primeira na realização do aumento imediatamente acima do local original, inserindo um bucha (tubo de aço) e adicionando o novo aumento logo acima. Este procedimento não me agrada muito... explico o motivo. Se vc realizar o aumento da espiga logo acima da caixa de direção, deve observar que o esforço de alavanca sobre o guidão é direto sobre a emenda. Então a sugestão é que a bucha seja maior, também que o soldador seja muito bom, e que considere um espaço mínimo para instalação da "aranha" (star nut) do sistema ahead set. O star nut é esta peça que entra para dentro da espiga e desloca-se em um único sentido permitindo a remoção de folga na caixa de direção; Sobre este aumento de espiga, prefiro esta segunda opção que vou descrever agora, pois acho-a muito mais segura, embora seja um pouquinho mais trabalhosa. A emenda ficará entre as caixas de direção superior e inferior. Os esforços são mais controlados neste caso, e além do mais existe mais "espaço" para trabalhar no tubo.  O autor da ação de aumento da espiga pode optar por utilizar uma bucha de emenda muito maior. Por exemplo... se a distância entre as caixas superior e inferior for de 13 cm, o autor cortará e espiga justamente no meio deste caminho, ou pouco acima. Em uma sugestão, deixa-se a espiga original com 7 cm. Explicarei logo mais pq deve ser observado este corte do meio para cima, não perca o foco da questão de corte. O novo tubo que será unido a velha e original espiga, e que se mantem presa ao garfo, deve ter a medida cortada + a diferença desejada. Ou seja, se vc cortou a espiga 6 cm abaixo da caixa de direção superior, mede-se o comprimento da peça que foi removida, adiciona-se a medida mais aqueles 6 cm que vc desejava para aumentar a elevação e o conforto. Se a medida total original da espiga era de 18 cm (13 + 5), sendo que o desejo era de que fosse de 24 cm, então a nova peça do enxerto deverá ter 6 cm extras, que corresponde a um tubo cortado com 17 cm.

Vamos detalhar para ficar mais claro: 

Espiga original = 18 cm
Espiga desejada = 24 cm

Antes do corte, com 18 cm; calculou remoção de 11 cm para emenda ficar pouco acima do meio das caixas; Sobrou apenas 7 cm de espiga no garfo; a peça que foi removida para descarte ficou em 11 cm; nova peça terá os 11 cm descartados + 6 cm para efeito de aumento; espiga restante no garfo têm 7 cm + novo pedaço com 17, somatório de 24 cm. 

obs gerais: se o possível autor da operação prática não compreender o descrito aqui, algo que vc também vai explicar com suas próprias medidas de projeto, procure outro realizador, pois ele pode até ser um técnico de qualidade, mas desconhece muitas vezes ciências próprias da questão bicicleta. Isto é algo que vc deve deixar claro. Estas considerações são próprias deste blog, partem do conhecimento deste autor que fez a graduação em engenharia mecânica até o 6º semestre e, é técnico automotivo pelo SENAI. Próximo passo... questões relativas a bucha, soldagem, medidas de parede dos tubos, qualidade dos aços, etc.

Texto e fotos: Roberto Furtado