sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Raleigh MT 200... projeto de reconstrução e considerações!


 Ontem entrou na lista do Bikes do Andarilho um projeto diferente... diferente pq? Bom, este é um frame diferente, explico. Na atualidade é comum a gente ver projetos de fabricantes com o apelo do "COMPOSITE", porém a maior parte dos projetos que recebem esta nomeação possuem relação de alumínio com kevlar ou carbono. Confesso que fiquei muito surpreso ao ver este belo projeto, cujo o parte do quadro é fabricada em Cr-Mo 4130 e outra parte em alumínio... sim, é isto mesmo! O Top tube e o downtube foram fabricados em alumínio 6061 T8, e o restante inteiro da bicicleta é confeccionado em cromoly. Ao ver este projeto fiquei pasmo, pq isto já havia escutado de algumas pessoas, mas nunca havia visto pessoalmente. Em outros tempos eu diria que a pessoa estava enganada, pois tais materiais são incompatíveis de ligar. 
Certamente este segredo de união entre dois materiais tão distintos se deve a um atributo tecnológico de colagem muito especial ou outra que desconheço. Creio que seja realmente um método de colagem. Outro fato pouco comum podemos dizer que é quanto a tipo de canote que estava na bicicleta. A bicicleta possui um canote de cromolibdênio, visto somente em quadros caprichados que estão mais relacionados ao conforto e durabilidade do que ao desempenho competitivo. É fato que o fabricante visava um acabamento superior e um público alvo do passeio... talvez a Raleigh tenha este perfil, sobretudo no passado, hoje, não me parece que a linha de pensamento ainda seja esta. Já vi quadros modernos, bem feitos, mas com outros conceitos, outras propostas!
O quadro possui muitas características da era de ouro, do MTB e da bicicleta da mobilidade destinada a um público A e B, cujo passeio é um interesse pelo hábito de descontrair-se com conforto e qualidade. O design e acabamento não fica devendo nada as atuais... pelo contrário, a atualidade é quem deve a este projeto old.
Devido a configuração e padrões de acabamento e construção, imagino que este frame pertence bem ao meio da década de 90. Possivelmente ano 96, talvez mais novo, mas se destaca por tantos atributos tecnológicos. Nas etiquetas do material, estão garantidas as informações. Fabricada nos EUA, em Seatle. Composite, Cromoly + aluminum. 
 É fato que combinar alumínio com cromoly é apenas uma questão comercial, onde o benefício se confunde... pq fabricar com elementos diferentes para reduzir 100 gramas? Certamente este é mais uma gritante evidência de que no período em questão, fabricantes das grandes marcas faziam de tudo para diferenciar o produto em questão dos demais fabricantes. Do cromo ao carbono, titânio, alumínio para bikes de porte acessível, mas altamente tecnológicas. Era isto... Foi assim que pensaram as grandes marcas. Elas queriam "suprimir", diferenciar-se, das pequenas fabricas que agora produziam projetos de aços nobres, tal como o cr-mo. Para produzir frames de alumínio, como já dissemos aqui no Bikes do Andarilho, era preciso um salto tecnológico que a grande maioria não poderia por uma questão econômica. Diferenciar para sobreviver... assim muitas fabriquetas da década e 90 morreram. Nasceram e produziram por curto período de tempo e foram mortas pelos grandes fabricantes. Salvo por raros casos, inclusive uma grande fabricante brasileira que na década de 90 possuia quase todos os frames desalinhados. O motivo era simples... não havia técnica suficientemente aprimorada! O soldador que certamente vinha de outro segmento, acabava cometendo o velho crime... quadro que esquenta, tende a dilatar, torcia, e soldado na posição incorreta, praticamente se acabava no empenamento. Mesmo assim eram comercializados. Um erro dos fabricantes de bicicletas de alumínio que não possuiam atributo tecnológico suficiente para aventurar-se em projetos complexos. Por estas e outras é que os frames de cromoly ficaram tão populares na década de 90 e agora novamente... pq os frames de alumínio de tal data, estão estão quase todos mortos e os frames de cr-mo são vistos com frequências nas vias. Maltratados... sim, muito, mas firmes, fortes, confortáveis e muito bem feitos, como até hoje o mercado fica devendo. 

Foi esta a história que descreve a trajetória das bicicletas da década de 90. Deixo uma pergunta... vc já viu frames de alumínio tão bem conservados como este das imagens? A verdade é que eles geralmente quebravam nas gancheiras, em pontos específicos onde as tensões se acumulavam. A Raleigh USA desta época fez algo muito interessante, utilizou o material tecnológico da época, combinado com o material mais durável de todos. Mais uma vez, a força de uma espada no formato de uma bicicleta cria uma linha invisível, onde o tempo vai separar as histórias gerando passado extinto e passado presente. A forma de uma bicicleta que roda nas ruas por muitos anos, e a história de algo que tem prazo definido para existir. Por isto a grande paixão de alguns entusiastas sobre o material... eles sabe que sejam cicloturistas ou talvez apenas admiradores, que ainda desta forma verão um projeto rodando nas ruas por muitos anos. A força de uma espada no formato de uma bicicleta.