sábado, 19 de outubro de 2013

Azul é a cor do Vento, os valores têm sentido e as medalhas são invisíveis!

A caminhada é longa... já estou aqui por algum tempo e isto me faz testemunha de mitos e lendas, também de fatos, e certamente autor de muitos pensamentos transcritos para o mundo da bicicleta ao qual certamente pertenço. De alguma forma encontrei depois de 37 anos a paz de espírito que procurei durante a jornada. Eu vivo e eternizo um segundo de cada vez, de cada um, de cada personagem real desta história que jamais será esquecida. Muitos são os presentes, e jamais citaria todos porquê seria injusto quando esquecesse algum... O carinho que tenho por todos é facilmente percebido quando escrevo palavras como estas tarde da noite... enquanto ainda estou agitado, justamente pq trabalhei e ainda trabalho na cobertura fotográfica de duas provas importantes. Neste episódio, tal como gosto de citar a etapa do campeonato gaúcho de downhill fui recebido por muitos amigos. Colegas de trabalho, colegas de entusiasmo, mesma vocação de espírito livre, embora em funções distintas... somos todos colegas, parceiros, irmãos. Nos reunimos em torno de uma pista que decide e exige o presente uma vez para cada um por 2 ou 3 minutos... nos mais rápidos, não menos importância, não mais! Não mais importância pq ganhar faz parte de um jogo onde todos queremos estar presentes, mesmo que percamos! Sabemos muitas vezes da derrota aparente, mas em algumas conquistamos a vitória... e sobre certos aspectos nós detonamos todas as vezes e ganhamos medalhas invisíveis que saboreamos sozinhos ao retorno para casa, em nossos carros. Não se trata de dinheiro, nem de poder, nem de qualquer sentimento facilmente descrito por aqueles que vencem... Há em cada um de nós um prêmio, contido, guardado, quase um segredo, mas denunciado pelo sorriso e pensamento. 
Sábado fiz a cobertura do dia de Qualify do DH, Domingo foi Bicicross... mas eu não páro de pensar pq as coisas são mágicas em nossos dias mágicos, enquanto os demais dias ficam obscuros por um sociedade que ainda teima e padece. As respostas ou a mudança não virá rapidamente, mas eu posso garantir para todos que a cada prova esta plantada uma semente que alimenta a esperança do futuro. Eu vejo isto nos rostos de piás de 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos que frequentam as provas, em quaisquer que seja a participação. Avôs, país, filhos, sobrinhos... amigos, todos se concentram na palavra que une tudo isto, A-M-I-Z-A-D-E!
Sábado, eu falei com o vento... ele vestia cor azul mais forte que céu, vibrante como o poder da natureza dos cenários mais belos que há, como aquele de montanhas verdes e céu azul de Carlos Barbosa. Se tenho esperança, deposito neste menino de 24 anos de roupagem azul... ele não é o mais rápido do mundo. Embora muito rápido, talvez como poucos, ele representa algo muito mais importante. Tenho fé nele... como ídolo, meu e de uma ou duas centenas de guris, ele nos dita um caminho. Para ser bom vivente pode ser bom coração... bom exemplo. Eu não ligo se vc ganha ou perde, eu ligo se vc é bom! E vc é...
Sábado eu vi o vento descer a ladeira... era rápido como Fernando Giordani, como Lucas Bertol, ou como William Bortolozzo (que trocou de equipe e não avisou hehehe) e outros meninos bons! Meninos velozes e vorazes da montanha, não menos capazes, mas seguem os passos de um garoto cuja farda é azul, como de um anjo... na verdade um guerreiro em forma de vento, se mistura ao céu e volta e meia espanta. Erra? Sim, até o vento erra, mas na intenção há uma incansável tentativa de acertar... eis a diferença dos atos dos homens nesta terra. Eu adoro esta gurizada pq eles me dão motivo para crer que o mundo vai apenas melhorar... e eu tô com vcs enquanto puder! abs