quinta-feira, 13 de junho de 2013

Peugeot Turismo 3 revitalizada - Parte 1


 Começando bem pelo começo a história de algo que é muito mais do que bicicleta. 
O mais interessante da bicicleta é o que ela representa e a trajetória das pessoas ao longo de sua existência. Isto é um sentido verdadeiro para uma bicicleta. Bicicletas não são nada sem a existência das pessoas. Tenho lido muita coisa a respeito de reconstruções e restaurações. Minha mãe, uma restauradora de livros, não praticante no momento atual, me diz que devemos manter o estado mais original possível. Eu concordo plenamente... para tudo existe um segredo, a leitura entre linhas que ando refletindo nos últimos tempos. Reflexões são importantes, pois sem estas, nada se torna novidade, nada “cicla”, nada se cria... 
Sabe-se que originalidade combina perfeitamente com manter a sujeira em seu lugar original, pintura com ferrugem, e peças desgastadas. Isto também me deixa frustrado, pq eu odeio ver uma bicicleta que atravessou o tempo em estado que sugere o fim. Isto pode parecer perfeito para alguns, mas para mim a bicicleta que chegou ao final, ou que se apresenta com detalhes da nitidez do uso, se mostra um estado presente de relaxamento. Se você guarda a bicicleta desta forma para simplesmente demonstrar em um museu, isto é válido, no entanto, se você usa ela desta forma... vejo um relaxamento e desprezo. Bicicletas precisam ser cuidadas, amadas! Elas representam uma máquina poderosa de transporte, de solução, de alegria, de inteligência humana. Afinal, para que existe uma bicicleta se não for para trazer um benefício para quem a possui? 
Bicicletas que estão desgastadas, feias, em um estado morto vivo, não têm a mesma potencialidade de uso como uma bicicleta nova ou devidamente reformada. Hoje, estamos trabalhando nesta bicicleta com intuito de reconstituir uma história. Esta bicicleta que deve ser de 1978 pertenceu ao meu sogro, depois foi parar nas mãos do tio de minha esposa, e hoje ela esta comigo. Motivo da revitalização? Colocar a mesma na sala como objeto histórico e de decoração.
O que vai ser feito? Foi inteiramente desmontada, teve sua pintura original e ferrugens removidas, e foi repintada (mesma cor). O que penso sobre este projeto? Eu e minha esposa pensamos que utilizar a mesma com objeto de decoração em nossa sala é um ato de valorizar parte da história que a bicicleta viveu. Meu sogro, passeava na praia com as filhas nesta bicicleta. Com elas, uma na garupa, e outra no top tube, levava o material e ia pescar. Uma pena não existir tal fotografia, pois isto seria ótimo para expressar no presente. O que descreve-se é um afastamento de aproximadamente 30 anos. Esta história não é suficientemente boa para justificar a revitalização de uma bicicleta? Talvez a fidelidade em restauração não seja possível, talvez quase... e muito provavelmente mais justificável do que manter a bicicleta "velha" em caráter original para que ela fosse um ícone da nostalgia abandonada ao fundo de uma garagem. Propósitos e propostas... todos temos, todos o idealizamos, e fazemos do em torno o que achamos necessário, viável, e justo.