sexta-feira, 24 de maio de 2013

Quando se perde a pureza, se perde a bicicleta...

Algumas coisas na vida não tem explicação. Não encontro respostas para muitas perguntas que tenho. Acho que isto é normal aos perguntadores. Há motivo e consequência, causa e imprudência em quase tudo que ocorre neste mundo. O que não existe é resposta para explicar...
A condição de profissional de fotojornalismo especializado da bicicleta me traz grandes e favorecidos pontos de observação. Tento ser imparcial em tudo, mas obviamente coloco minhas impressões, assim é o colunista, assim é o blogueiro, assim é o redator que transcreve as situações vividas e observadas. Me sinto sentado no topo de um edifício, como uma ave de rapina a espreita da presa. A presa é o meu assunto fotográfico. Fato que me levou a paixão pela fotografia, quando descobri a arma da paz. Infelizmente, até mesmo na fotografia existe corrupção e interesses. Onde o homem coloca sua mão, faz então sua nova tragédia, bastando ambicionar um algo mais sem possuir sensibilidade. 
Tenho visto um mundo novo a se formar na bicicleta... ela se transforma, esta me levando junto, e mais algumas pessoas. Não são pessoas que competem comigo, são clientes, amigos, outros profissionais do meio bicicleta. O mercado esta crescendo, a mídia circundando, e as transformações são visíveis. Algumas destas pessoas eram totalmente puras quando as conheci... eram simplesmente focadas na bicicleta pelos motivos que ela representava. Uma vez que assediada pelo poder ou vislumbrando dinheiro por meio desta incrível máquina de alegria, tais pessoas se transformaram. Até eu me transformei, quase um hipócrita, pq hoje, há semanas que praticamente não pedalo. A mero exemplo desta, que andei se tanto, uns 8 km. Verdade que estou tão envolvido com o trabalho, inclusive de bicicletas, que acabo perdendo o tempo necessário para pegar a bike e ir... Estamos esquecendo o real motivo de pedalar, que é a bicicleta gratuita. A bicicleta que arranca uma alegria especial, em uma oportunidade qualquer, mesmo de ir até a padaria ou banco. Hoje fui ao banco... e é bom usar as pernas de um jeito diferente para fazer tarefas do cotidiano. 
O que vejo são pessoas que tinham um brilho especial junto da bicicleta, alguns até amigos, agora viraram concorrentes... estão foscos! Estão entre comércios, equipes, grupos de ciclismo, promotores de eventos, oficinas, e até nas ruas pela cidade... todos na contra mão, plantando sentimentos que não são saudáveis. Tenho visto isto sim... e lamento. Quando se perde a pureza pela bicicleta, ela se perde em cifras e mesquinhez.