sexta-feira, 19 de abril de 2013

O dia do índio que eu não entendo...

O interessante de dias marcados para refletir e comemorar sobre determinadas questões históricas e sociais é a finalidade desta oficialização. Quando Getúlio Vargas decretou o dia do índio em 1943, imaginava-se que num futuro breve as pessoas teriam consciência e respeito para estes seres humanos que já habitavam terras brasileiras. 
O dia continua tendo valor histórico e teoricamente moral, no entanto é visível que as culturas dos povos indígenas continuem sendo degradadas de formas diversas. Obviamente, o livre arbítrio existe para aqueles que desejam deixar uma cultura... Tive no colégio, um professor de Português completamente índio, vindo de manaus. Um cara excepcional que me deixou em recuperação e reforço na tentativa de me fazer alguém melhor. Isto foi na 6ª série do primeiro grau. Ele estava certo, pois nos anos seguintes continuei em recuperação na disciplina que hoje, de alguma forma essencial, faz parte do meu cotidiano. Talvez a insistência destes professores tenha conseguido algo único... e o benefício não é somente meu. Eu solto palavras no vento e ajudo pessoas... algumas! Eu aprendi que a linguagem tem que ser simples para que todos o entendam e que a objetividade deve ser presente na construção de cada frase... não é tão simples como parece, pois tenho dificuldade em escrever como os moldes mandam. Faz parte! Somos assim...
O fato de eu estar aqui escrevendo, talvez seja responsabilidade deste professor que não lembro o nome (tinha um nome de índio, muito estranho). Se ele saiu de uma tribo para ser professor de Português, talvez isto prove a todos que os índios são capazes de qualquer coisa se forem aceitos como são... eles nascem sim de uma cultura completamente diferente da nossa. Imagine você ser convertido em índio depois de ter nascido na cidade grande. Você terá as mesmas dificuldades que eles para se adaptar. A coisa mais triste que vejo nos índios são quando eles estão marginalizados nos centros urbanos, pedindo dinheiro em sinaleiras. Ali morreu uma cultura e a nova cultura não foi bem sucedida... aliás, me parece bastante estranho impôr o sistema capitalista aos índios.
Os índios que querem ficar em uma terra, não podem. Eles são ameaçados juntamente com as florestas, seu sustento é consumido por outros de formas distintas. Na casa de muitas pessoas que agora estão lendo este texto, estão madeiras nobres, cuja a origem era a floresta que perto existia uma aldeia. Se vão as matas, e com elas os animais, o rio também morre, e os índios acabam alcoólatras nos grandes centros enfumaçados. Há tanto de incoerência nisto e me pergunto onde ficou o dia do Índio... O índio ainda existe em sua íntegra forma. Eles são poucos em meio a florestas, mas eles existem. Deveriam ser protegidos verdadeiramente por um decreto e dia, que será transformado num futuro próximo em uma data que lembra uma raça extinta. O homem branco é genial... vai inclusive ganhar medalhas e prêmios por fundar dias assim!