quinta-feira, 14 de março de 2013

Audax 200 km de Bagé por Carlos Polesello

foto: Heron Regert

No ultimo dia 10 de março em Bagé – RS, pedalei meu Audax Randonneé de numero 37. Meu segundo Audax nos Pampas Gaucho. Como sempre a organização e companheirismo do pessoal de Bagé, representado pelos sempre dispostos Pedro e Heron Regert e seus colaboradores foram acima da média. É sempre possível melhorar o que já era bom. Fica o exemplo para todos os organizadores. Porém nestes 8300 km rodados ao longo de todos estes Audax, o mais importante é conhecer lugares novos, cidade que nem sabíamos onde e como são, conhecer outras pessoas, aumentar nossa rede de amizades. Isso que é a verdadeira “rede social”.  Sempre tive a preocupação, como é a mesma de alguns organizadores de contar com gente nova no pedal. Gente nova é literalmente falando de jovens pedalando, uma vez que a média de idade de quem faz Audax é sempre considerada alta. No dia 03 de março já havia pedalado junto com um rapaz de 18 anos que estava fazendo seu primeiro Audax. Com o ciclista Klaus Hartmann, a preocupação da sua família era grande, mas o rapaz ansioso, mas bem centrado e concentrado no pedal chegou bem para alivio e alegria dos familiares que estavam todos no ponto de chegada no DC Navegantes para recepciona-lo. Era só alegria e satisfação. Antes deste Audax, também tive o prazer de pedalar com o filho do Victor Matzembacher, que está encaminhando o filho para se mais um Audacioso. Em Bagé também o filhos do casal ciclista sempre simpáticos e amigáveis de Teutônia, a Susana e Bruno Tiggemann, o Frederico. Ainda no Audax de Bagé tive uma esperança e que o futuro do Brasil ainda tem jeito. Pedalando e conversando com um rapaz de 16 anos de Teutônia–RS, muito inteligente, de nome Willian Halmenschhlager, pude ver que os adolescentes de hoje não são todos iguais. Alguém que com 16 anos, bem responsável, viajando em ônibus fretado com os amigos de Teutônia. Já comprou e estava pagando sua impecável Bike Speed Merida, alguém que andou bem devagar no trecho irregular de paralelepípedo para não estragar a bike. Trabalhando, e estudando no terceiro ano e já com pensamento em fazer um curso técnico em eletrônica no próximo ano para se preparar para a vida. Hoje, a maioria dos jovens estão pensando em game, facebook, roupas e tênis da moda, jogos em rede, ipod, ifone, tablets, net, internet e outras coisas da era digital. Todas estas modernidades são consideradas “normais” para os dias de hoje principalmente para a juventude. Longe de dizer que isso não pode ser feito, apenas enfatizo o porque não a dedicação mais intensa a um esporte, e porque não um esporte que requer uma certa disciplina, dedicação, esforço, determinação, como é o ciclismo e o Audax como exemplo. Este, sem duvida, é uma ótima opção para formação de valores e personalidade. Como tenho uma adolescente em casa e convivo com seus momentos, vejo como as coisas mudaram no tempo em que eu pertencia a esta “turma” pelo menos na idade. Naquela época, quem tivesse uma Monareta, tu era “o bom”, se tivesse uma Caloi 10, então, tu era o “BamBam” da turma. Se tivesse uma Caloi 10 sportissíma (de alumínio) era o Michel Teló do bairro. Se tivesse uma boa bola, tu poderia escolher o time e a hora de jogar. Hoje, não sei mais, qual é o limite, alias, ninguém sabe onde está o limite. Os fatos, as ações são muito dinâmicas, mudam muito rápido. Chegamos ao ponto, que se uma musica estoura nas paradas ou no Youtube, em pouco tempo ninguém mais conhece ou lembra-se que foi sucesso em determinado momento. As coisas acontecem muito rápido, parecem descartáveis. Acho que isso perturba e confunde a cabeça de alguns jovens. Não se dá mais valor as coisas. Por isso espero que os diversos Klaus, Willians, Pedros e Fredericos do Brasil e do Mundo façam a diferença no futuro, tenham a leveza da juventude e a seriedade de ser um adulto mais que responsável. Isso evitará que haja repetição das “tragédias” que vemos hoje todos os dias nos jornais, televisão, internet, que são as pessoas que não respeitam ninguém, acham que tudo pode, não tem limite, se acham, são dono da rua, donos do bairro, dono do mundo. Bem, o Audax de Bagé, o mais “ventoso” dos Audax que participei, cheguei na companhia do Willian com alguns minutos depois de 9 horas de pedalada, entregamos o passaporte e fomos sedentos imediatamente para a loja de conveniência do posto onde era o PC final, onde peguei aquela cerveja super gelada para comemorar a conquista, ao meu lado abrindo o outro freezer o William pegando um refri e disse:  - “Tenho 16 anos e ainda não posso tomar bebidas alcoólicas”. Precisa dizer mais...?    
Carlos Polesello – 51  anos - 37 Audax – 8300 Km de estrada.

obs: Carlos é o 2º ciclista da direita para a esquerda.