quarta-feira, 20 de março de 2013

Anseios de um Andarilho

Por vezes nos deparamos com situações que nos frustram. Isto tem ocorrido com frequência comigo, e não necessariamente é um problema meu somente. Acredito que muitas das frustrações vividas por mim e por outro, tem base com o comportamento de certas pessoas. Esta prestes a completar 2 anos que venho trabalhando com a Federação Gaúcha de Ciclísmo... se não me engano, comecei em maio de 2011. Com a Sociedade Audax de Ciclismo a história é um pouco mais antiga. Com a Revista Bicicleta também não é um história longa, afinal, a revista é jovem... fará três anos no segundo semestre de 2013. Infelizmente sou um agitado de pensamento, penso e coisas demais. Embora a competição desta função de fotojornalista, de fotógrafo comercial, seja um desafio assustador, ainda assim consegui formar uma idéia bastante serena da atividade. Conheço vários fotógrafos, muitos trabalham em segmentos diferentes, alguns bons colegas trabalham no mesmo ramo. Percebo um ar competitivo entre eles... há aqueles que se julgam bons demais, uma carapaça evidentemente falsa no entendimento que eles tem deles mesmos. Sei que faço um trabalho único no Brasil em relação as condições oferecidas, mas acho também que tenho muito a melhorar. Não há outro lugar no Brasil com este padrão de trabalho no segmento da bicicleta. Se forem 700 imagens, elas estarão lá no dia seguinte... com qualidade mínima para divulgar a FGC, o esporte e meu trabalho. Isto, não acontece em lugar algum. Nem por isto, me sinto um "rockstar" como muitos profissionais tem se comportado. A verdade é que os caras são menos do que gostariam... tem medo de comparações, de reduções. E aliás, quem não as têm? Aprendi e repeti muitas vezes uma frase a diversos colegas, que certamente poderiam se manifestar e confirmar. Sou único... tu também! Somos únicos na forma de expressar qualquer tipo de arte ou trabalho. Ninguém, jamais, fará um trabalho como o meu, e jamais conseguirei copiar um trabalho de um colega. Isto é a identidade de cada um... somos insubstituíveis! Não tenho medo de ser substituído... primeiro pq não tenho visto nada a altura, depois pq cada um tem sua individualidade, e por fim pq poucos se sujeitariam a fazer o que faço por cifras tão modestas. 
E atualmente, a única coisa que tem me dado verdadeiro estímulo para continuar são as palavras dos atletas, de alguns colegas. O que significa isto? Obviamente, tenho feito por amor ao esporte e a fotografia. Nada além disto poderia motivar o abandono da família no domingo. Lamento mesmo é ter deixado de ser um vivente verdadeiramente andarilho como um dia fui, quando caminhava sobre dunas de areia, campos abertos, morros, onde o objetivo era nenhum, incerto, e apenas a busca por fotos completamente descompromissadas. Uma visão como destes meninos a beira do Ninho das Águias, em Nova Petrópolis. Que este manifesto chegue a cada um que precisa de uma reflexão, como eu, sempre precisei.