quinta-feira, 15 de novembro de 2012

KHS de Cr-Mo True Temper - remontagem


Na escolha dos projetos de remontagem de uma bicicleta vale quase tudo... acho que só não vale destruir um quadro de boa procedência para para inventar moda. Destruir uma projeto do passado é passar uma borracha na história, e isto descreve um desapego ao que tem valor para os entusiastas da bicicleta. Isto é algo que tenho pensado, quando vejo quadros de boa qualidade sendo cortados. Claro que cada um sabe o que faz de algo que possui, mas eu mesmo já fiz sacrifícios para salvar quadros que poucos fariam. É importante preservar a história, ou deixar que ela vá adiante nas mãos de um terceiro. Outro ciclista poderá ver adiante, e isto favorecerá o retorno de um projeto quase extinto as ruas de uma cidade. E tem algo mais bonito do que a caracterização de um frame de um fabricante. O quadro deste post é evidente, este projeto pertence a KHS, muitos ciclistas da década de 90 conhecem este  design. Este projeto era um sonho antigo.
O sonho antigo de possuir uma KHS com o seat tube adiantado e "moldado" no formato da roda traseira era algo que muitos de nós, quando adolescentes da década de 90, não tínhamos a grana para comprar esta maravilha de trazer sorriso. Sem lamentação, lembro bem... era um sonho pra mim. Hoje, infelizmente se torna impraticável a restauração dela... nem mesmo o garfo original este quadro possuía. Então arrumei este garfinho de Cr-Mo, da Spinner, que era algo bem comum no final da década de 90. Aliás, que elegante este garfo. Fiquei a pensar como trazer esta beldade de rodas para a realidade urbana, mostrando que ela é alguém do passado, mas com todo jeito para devorar o asfalto. Não poderia ser diferente, ela precisaria ter um jeito da tendência. A tendência da mobilidade urbana sobre uma speed. Uma road bike com desenho agressivo, guidão confortável, rodas fortes e maçanetas de freio que se adaptam em ferraduras de road, também projetadas para serem aplicáveis em v-brake, cantilever, e qualquer outra finalidade. 
 No projeto, utilizei materiais do fundo do baú... sim, aquelas peças guardadas, algumas fruto de garimpo, outras simplesmente substituídas e guardas. Quem gosta de bike mesmo, sempre acaba comprando muito mais do que deveria se tratando de bicicleta. Aqui, volta e meia dava discussão... "pra que tanto cacareco de bicicleta?" Dava vontade de dizer qualquer cosia, pq raramente alguém entendia... até de acumulador já fui chamado. Imagina um acumulador que tem uma história com mais de 50 bicicletas resgatadas? Só que as bikes, as peças, acabam voltando para o mercado. Eu guardo, pq preciso para retomar um projeto. A exemplo de uma TREK 470 que levei 2 anos para recuperar. Não é fácil! Contudo, se fosse fácil muitos fariam, é o "osso do ofício!" Este, você vai ter que roer... ou nem se meta a fazer. Voltando... mas se eu tinha algumas peças em casa, outras não. Este foi o caso para corrente, cassete de 8V, cambio traseiro, coroas novas para o pedevela, movimento central e cubos. A relação ficou inteiramente nova, sem detalhes. Coroas novas são importantes para preservar o cassete e a corrente. 
O pedevela... pedi aos rapazes da Adventure bike shop para levarem a pintura. Estava feio... e a pintura preta, nova, ficaria de acordo, pois destacaria as coroas de em cor prata. Mesa curtinha, espiga alta, guidão "amorcegado", deu um toque e conforto. Personalidade para a bicicleta, e quem teve oportunidade de olhar de perto, concordou. 
Andei um pouco nesta magrela e a sensação é ótima. É uma bicicleta confortável, ágil, e tem um desempenho muito bom com pouco esforço. Já que meu preparo anda péssimo (hehehe), então é possível que eu use-a por uns dias, e assim possa não só aproveitar, como tirar mais algumas conclusões. Meus agradecimentos ao Tchaka, por toda paciência, montagem e regulagem. Agradeço ao a Adventure por descolar este quadro, pelo cambio dianteiro e pela pintura do pedevela, também pela atenção de sempre, apoio. Estes, tem me dado a oportundiade de reconstruir, de ver reconstrução, de ter assunto para o blog, e de poder levar a todos os amigos algo diferente e motivador sobre o mundo da bicicleta. Nem só de provas vive este blog, nem só de mobilidade urbana, nem de reconstrução, tampouco de pautas para a querida Revista Bicicleta. Todos estes apoios juntos acabam viabilizando manter este espaço, divertido e informando a todos. Recentemente o blog passou dos 300.000 acessos totais, então isto é mérito de todos. Não faria nada sozinho, muito obrigado.