terça-feira, 30 de outubro de 2012

Nas pegadas da fotografia...

As vezes me pergunto se ocorreu motivo para ter escolhido este ofício. Meu avô foi fundador do primeiro clube de fotografia do RS. Um dia quando fazia o curso no Foto Cine Clube Gaúcho, entreguei ao presidente a carteira de sócio fundador que continha o número 04. Naquele tempo, existiam fotógrafos diferentes do que estes que exercem a profissão. Tudo mudou, mudou muito. Entendi a fotografia no conceito do filme de 35 mm. Vi meu pai fazer filmes em uma super 8 que fazia um barulho parecido com de uma máquina de costura. Temos ela guardada até hoje. É estranho que eu tenha optado por esta profissão tão tardiamente, mesmo ocorrendo influência do meio, já que minha mãe também adorava fotografias. A influência vinha de ambos os lados. Meu pensamento era... todo mundo adora fotografia, deve ser apenas um hobby latente por externar. Enquanto criança, caminhava sobre dunas, banhados, e pensava que todos viam as mesmas coisas. Até que percebi que prestava uma atenção diferente, saboreava a "engenharia" das formas, contornos, profundidades e cores. Os animais, especialmente os intocáveis... estes eram o grande sonho de observar. Ouvia histórias de um peixe que na minha mente se montou como lendário, e o persegui por anos. Até que pude colocar as mãos nele, e saber a textura. Ele brilhava como ouro, comia siris, e era grande como diziam os contos. A fotografia é uma ponte entre a memória e o intocável presente. É nesta mágica que mora uma parte da minha formação pessoal, que se relaciona com a fotografia. Em tudo é possível tirar a lembrança, a eternização. No céu das praias mais desertas do Brasil, o entardecer, a certeza de estar sozinho em lugar algum onde o sol brinca com as nuvens, se despede dizendo que a amanhã tem mais, de outras cores, outros formatos, outros sorrisos. Se sou um sonhador, e assim chamado... não me desespero e nem me frustro, fico feliz. Sonhar faz um fotógrafo melhor, um escritor melhor, um cidadão melhor... talvez um lunático que vive preso a felicidades que inexistem na selva de concreto. Não me assusta o presente, mas me preocupa o futuro, então tomo uma dose de fotografia, e renovo a esperança.