quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Quando uma bike termina?

 É muito difícil precisar quando é o fim de uma bicicleta. Mesmo que ela seja simples como esta Caloi Ceci. Seguidamente surgem bicicletas velhas nas bicicletarias, oficinas e lojas do segmento. Saber que uma bicicleta chega a este ponto deixa a todo apaixonado por bicicletas com aquele sentimento de perda. Fui na Adventure verificar este projeto, já que eles andam no ritmo forte da reconstrução. Não dá pra ter confiança de que isto vai ser um projeto com grandes resultados, mas os rapazes estão confiantes. Ainda perguntei a eles sobre os paralamas... 
Me disseram que iam utilizar estes paralamas pq são originais. A estas alturas não sei se é relevante preservar peças, mas isto é pessoal. O "diretor" do projeto é quem decide! Nas imagens é possível perceber que o paralama da Ceci é preso com ajuda do bagageiro, ou vice versa. Um depende do outro, o que acho ruim, mas são detalhes de projeto que fazem a história de um modelo. Me parece que todas as Cecis, independente de ano foram fabricadas com esta característica... Particularidades da intenção de um projeto!


 Também é importante destacar que este forte atributo ligado ao modelo desperta o interesse de ciclistas. O design de quadros como este atrai pelo estilo retrô. Ocorre da mesma forma com a Monark Brisa, por um desenho praticamente único, com curvas e detalhes que ligam ela ao passado. 
A presença de gancheiras que possibilita o ajuste da corrente tem conquistado a todos nestes tempos da ressurgência dos cubos de marchas internas. Shimano Nexus nesta e em outras old bikes...
 Antes não havia marchas, e instalar uma pinha de 3 velocidades e seu desviador poderia ser uma dor de cabeça com aquela gancheira adaptável ao quadro, mas com o Nexus e seus assemelhados concorrentes, passou a ser uma realidade viável. Não tinha nada pior do que aquele sistema que não funciona direito por falta de habilidade do instalador, ou até mesmo por problemas percebidos na fabricação de cada quadro. Os quadros não eram iguais, e isto, sem dúvidas traziam dor de cabeça na hora de instalar marchas. Isto não ocorria somente nas Cecis, mas em toda bike que não possuia o capricho desta finalidade.

Neste momento se percebe a forte evolução das bicicletas. Alguns tendem a dizer que para bicicletas de rua mudou, outros acreditam que foram responsáveis por isto (lamentável), ainda há aqueles que não acham nada a respeito (que insensibilidade), outros falam de bikes de alumínio, carbono, titânio como se isto fosse uma evidência evolutiva aplicada a toda industria ciclística. Em mobilidade urbana isto não é relevante, bikes de aço e/ou Cr-Mo são tão confortáveis, confiáveis e duráveis quanto qualquer outra, demonstrando que se esta velha Ceci esta prestes a ser "reformada" é pq elas nasceram para durar. Afirmar que uma Ceci terminou é o mesmo que dizer: "Um caminhão passou por cima dela!" Ou "Ela caiu do último andar!" Talvez algo como: "Pegou tanta maresia que os tubos furaram!"
Até ocorrem tais histórias, mas de forma geral elas acabam em lixões encaminhadas a Gerdau ou outra utilizadora de matéria prima Fe (Ferro) para disponibilizar ao mercado um novo ciclo de vida. Ciclo de vida  do mesmo material que um dia originou espadas e utensílios quando o assunto é o túnel do tempo! Talvez esta bicicleta possa ser outra bicicleta um dia, mas por hora, voltará as ruas. Quando uma bike termina é uma questão de decisão! Qual será o destino dos botijões de gás que começam a ser substituídos em caráter experimental por botijões de fibra? Refletir é preciso... sempre, mas bicicletas nunca terminam enquanto puderem transportar pessoas!

Roberto Furtado