quarta-feira, 27 de junho de 2012

Texto off bike: As marcas... sempre, ainda!



As marcas... sempre, ainda!
Nas idas e vindas a gente aprende muita coisa. Muito mais do que aquilo que dizem para nós... alguém sempre diz, “um dia você vai entender!”. Hoje entendo muita coisa, e percebo que cada vez há mais coisas para entender. A compreensão é infinita, e sempre me lembro da distância entre o passado e o agora. Ainda me lembro de tanta coisa... me lembro de beijos, choros, risos, rostos, ruas, e lugares. Me lembro de histórias, de pessoas, de gente que foi e voltou, de gente que nunca mais vi, de pássaros, de cercas e campos, morros e frases. Lembro de coisas que não vou ver de novo, lembro de afetos que tive, dos desafetos também, dos conceitos de matemática, de biologia, de outras coisas que nunca mais vou ver. Lembrei de um inseto que vi, e depois nunca mais tive a lembrança dos detalhes. A imagem corrompida como se estivesse faltando algo é um oceano de incertezas. Por horas, tentava descrever alguma coisa, levantava dúvidas sobre sua exatidão, e por fim parava no mesmo lugar. Ainda me lembro de coisas que podia ter esquecido. Ainda me lembro de quando caí da árvore, da bicicleta, e de uma surra que levei de uma coleguinha de colégio... Não me arrependo de ter caído da árvore, nem de ter caído da bicicleta, e menos ainda de ter defendido um colega menor que eu. Ainda me lembro dos pré-julgamentos que a mim foram atribuídos injustamente, ainda me lembro dos preconceitos que vivi, das frases mal ditas a mim, da ignorância, da falta de oportunidade, de conhecimento, de amigos verdadeiros. Ainda me lembro de cada palavra que disseste e que machucou mais que a surra ou a queda. Ainda penso se voltará atrás, ainda me lembro de ti, ainda me lembro que as coisas que lamento foram feitas ou ditas por adultos que deveriam saber mais que uma criança de 10 anos. Ainda penso que isto pode sumir da minha cabeça, se resolver, ser compensado. Ainda gostaria de ver pessoas ruins excluídas do meio de pessoas boas, ainda penso nisto em todo lugar que vou. Um dia vi a lua, outro dia também, e cada dia foi diferente, e as marcas que deixaste no meu coração, estão sempre, ainda, comigo.

Roberto Furtado