sexta-feira, 2 de março de 2012

Andarilhos


Em frente ao horizonte com o olhar fixo na linha que divide o céu e a terra, segue pedalando um "andarilho". Entre segundos de uma cadência e pisar nos pedais no tempo certo, um ritmo ótimo. A vida corre de encontro ao horizonte sem destino definido. O dia é curto, e possivelmente o paradouro é algum descampado suficiente para montar a barraca. Preferência para margem próxima de um córrego, talvez que tenha um pé de araçá para comer frutos. Que seja seguro, limpo, abrigado do vento... e que não tenha muitos mosquitos. Se tiver, paciência, talvez a fogueira de gravetos faça uma fumaça que os espante. O sol vai se pôr, e é um momento triste, bonito que guarda outro presente. Com a ausência do sol, um céu de estrelas para serem contadas... e certamente o sono virá. Corpo que cansa, repousa, se alivia da carga, e assim a mente entende que a missão foi completa. O amanhã? Talvez sentido oposto, talvez outra direção, talvez mesmo sentido do vento, dono do tempo, amigo dos favoráveis, inimigo dos insistentes de ir contra. O paraíso é relativo como a vida, pode ser frutos silvestres, um incerto amanhã, ou quem sabe o fim de anseios por mudanças. Talvez a vida seja pedalar com apenas 2 reais no bolso, pode fazer mais sentido do que salário e contas equivalentes, equilibrio desequilibrado que tira sempre um sono e que pede compensações. A vida é uma estrada, nela estão sangue, suor e lágrimas, também alegrias para quem as valoriza. E não é possível esquecer, para um andarilho cada manhã traz o bom dia do deus Sol, anunciado por estrelas que sempre o antecedem. Ou seria o infinito anunciado pelo súdito sol... referências ocorrem para dar perguntas, as quais sempre teremos, e com as quais sempre saberemos para onde ir. Andarilhos  tem um único destino... a estrada!

Roberto Furtado