domingo, 15 de janeiro de 2012

O aumento da espiga, motivos, mistérios e riscos - 1ª Parte

Garfo Spinner de uma TREK 830, espiga aumentada!

 Para poder iniciar este assunto, achei prudente fazer em partes, criando uma introdução onde cito e explico algumas questões. Acredito que a bicicleta, seu uso, se tratando de desenhos e aplicações, poderiam gerar um livro... no qual possivelmente me faltasse muitos conhecimentos para levar ao entendimento de todos. Se tratando de Brasil, ainda não conheci alguém capaz de argumentar sobre este assunto. Converso com muitas pessoas, leio muita coisa boa na rede, mas de forma geral, estamos atrasadíssimos neste Brasil. Tenho colegas muito bons em todas as áreas da bicicleta, mas este é realmente um assunto carente. Iniciando... Quantas vezes você procurou por uma bicicleta com um guidão mais alto? As mínimas diferenças anatômicas de cada ser humano trazem um desafio ao fabricante, ao bike Fit, aos profissionais do varejo de bicicletas. Não podemos esquecer que a natureza nos fez diferentes uns dos outros, e fabricante algum neste mundo poderá confeccionar ou projetar uma bicicleta que sirva a todos. Por este motivo, a grande gama de opções em canote, mesa, selim, pedevela, sapatilha, guidão e outros componentes acaba sendo a única possibilidade de "regular" a bike para cada um. Duas bicicletas iguais, duas pessoas com medida do cavalo em 16", e duas configurações de montagem completamente diferentes. Pq? Simplesmente pq somos todos diferentes! Me utilizando como exemplo, tenho preferência por quadros grandes e curtos... e isto é bem complicado! Problemas com a cervical, com o ombro e caracteristicas de braços mais curtos, me levam a utilizar sempre quadros mais curtos. A posição de super-homem pode parecer uma vantagem para alguns, mas para mim é um problema. Além do mais, não sou das competições, sou das provas de longa distância, passeios longos e demorados. Para mim, o conforto é muito mais importante que o desempenho pela aerodinâmica. Cada um em sua finalidade esportiva, cada qual em seu projeto de vida, desejos e sonhos. Isto tudo moldará o tipo de bicicleta que terás. A verdade é que isto tem sido percebido pelos fabricantes que aos poucos modificaram a geometria da bicicleta para um desempenho com conforto! Podemos avaliar isto prestando atenção em grandes marcas, onde o guidão esta muito mais próximo de altura do selim do que nas décadas passadas. Hoje estão surgindo bicicletas com uso misto, aquelas que alguns chamam de híbridas (odeio esta terminologia). As ditas híbridas estão sendo desenhadas com finalidades para atender a cada desejo. Algumas bem urbanas, outras bem esportivas, e outras mais estradeiras da longa viagem. Este nicho de bicicletas, talvez esteja tão crescente em função destas diferenças. Cada uma delas possui um público diferente... Sendo que a mais esportiva, logicamente possui posição mais agressiva, e se aproxima muito de uma 29". Se prestarem bastante atenção nos desenhos, perceberão isto! O tamanho do pneu e a suspensão, em alguns casos, dará a você a certeza de qual é a finalidade desta confusão entre uma 700 esportiva de uso offroad e uma 29". É um assunto tão polêmico como o deste título e de certa forma se relaciona perfeitamente com a questão. As bicicletas urbanas estão sendo modificadas pela industria aos poucos, e sua altura de guidão em relação ao selim tem sido valorizada. Em caso de modelos mais antigos, como estes que frequentemente descrevo no Bikes do Andarilho, esta diferença pode ser realizada no aumento de espiga do garfo. A espiga é o tubo que passa por dentro da caixa de direção, e nela é fixada a mesa (ou avanço/suporte de guidão). Esta operação pode ser feita em espigas de medida std ou oversize, ou ainda em outras medidas. Com este aumento se consegue melhorar muito o conforto do ciclista, pois ele ficará menos deitado ou menos espichado sobre o guidão. O que realmente importa é que esta operação seja realizada por alguém que saiba o que esta fazendo. Neste ponto do conhecimento, podemos afirmar que existem áreas distintas: geometria da bicicleta e metalmecânica. É importante salientar que talvez seja necessário a união de dois profissionais para que este serviço fique funcional. Aquele cidadão que discorda disto, talvez esteja sendo imprudente. Para ser realizado este aumento de espiga,  precisa ser feito, obrigatoriamente, um "embuchamento" da espiga. A tarefa será descrita no próximo post. Este embuchamento garante que os esforços que mantem o tubo alinhado, não crie qualquer oscilação/variação, pois ali poderia ser originada a fadiga do material. Imagine só a espiga da bicicleta fadigando... O tombo seria certeiro, a menos que percebido pelo ciclista antes do desastre, o que se trata de muita atenção e sorte. Esta tarefa pode ser feita por um torneiro mecânico sério, e sendo detalhado para ele qual a finalidade do projeto. Ideal seria mostrar a bicicleta inteira para o profissional, afim de que ele possa compreender os esforços envolvidos. A bucha desta relação de aumento, seria o reforço desta "emenda", ela será responsável por garantir o alinhamento do tubo existente, com o novo tubo. Os três devem ser unidos juntos, como será explicado no post seguinte. Tenho muita preocupação em descrever esta postagem, pois para mim importa a segurança de um colega. Tenho visto pessoas fazendo isto, e receio que alguem possa estar fazendo de forma incorreta. Não recomendo que ninguém compre garfos de espiga aumentada sem saber a origem e o realizador desta tarefa. 

Roberto Furtado