quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Andarilho


Hoje, acordei de frente para as montanhas, e entre elas nascia o sol amarelo "quente" contornado de nuvens que pareciam querer esfriá-lo. Ali na hora, café feito com a água da chaleira pequena e amassada, do fogo de chão, e dos gravetos secos que estalavam. Tralha reunida, pé na estrada, vento no rosto. O horizonte sempre desconhecido, um caminho novo que de carro não recordava. Outras vezes passei tão rápido por coisas tão bonitas, que não as vi!
Na estrada encontrei um vendedor de frutas. Na sombra de uma árvore sentei ao lado dele, conversamos histórias e perspectivas diferentes, realidades diferentes. O "almoço" foram as frutas que comprei, o preço foi bom, e somente praticado pela minha aparência. Homens são medidos pela aparência, sempre! 
Depois de muitas horas, os pés pediam repouso, e a sede batia me fazendo lembrar do cantil vazio. Demorou muito até encontrar um lugar para comprar água. Senti saudade de casa, quase arrependimento... Na vida, em tudo que fizeres, haverá o momento de frustração. Foi da família que senti saudade. Também do conforto, da cama limpa e quente, do banho de água mais quente que o corpo suporta, que dá a sensação de estar bem limpo! Nada disto tirava o brilho de cada paisagem por onde passei. A velocidade certa de olhar para as coisas e pensar na vida. Apreciação na medida certa!
Na retomada da estrada, muito calor... o suor acumulado na testa escorria pelo lado do rosto me fazendo entender pq a face possui um formato e pêlos. Possivelmente para que o suor não caia nos olhos. Algumas conclusões, muitas reflexões, mas eu tinha mesmo era muitos sonhos. Sonhos de andarilhar...
 
Roberto Furtado