sábado, 3 de dezembro de 2011

Relato de Audax 200 Km (Santa Cruz do Sul 26.11.2011) por Carlos Polesello

Fotografia: Marco Antônio Valim
Sempre gostei de encarar um Audax fora de Porto Alegre ou grande Porto Alegre. O ultimo tinha sido em abril de 2010 em Caxias do Sul e em Santa Cruz do Sul desde janeiro de 2009 há quase 3 anos. Depois de 2 seguidos na região metropolitana de Porto Alegre, ambos com muito calor segui tranqüilo para encarar o que diziam os relatos de ser o pior e mais longo dos Audax 200 já feitos. Realmente foi um dos piores e melhores trajetos que fiz ao longo dos meus 19 Audax desta distancia (200 Km). Explico. Para começar eram 215 km no total de Santa Cruz do Sul Até Barros Cassal. Pior para os 10 ciclistas que não completaram o trajeto devido à altimetria que ia de 24 m até 635 m. Eram 7 Km de serra seguida e outros trechos bem inclinados que aliados ao calor da volta acabou com o animo e fôlego dos menos preparados. Dos 44 que largaram, 22,72 % abandonaram. Para se ter uma idéia da estrada, alcancei a máxima de 69,8 km/h em uma descida. O melhor, pelo menos para mim, é o trajeto bem seletivo, com inúmeras subidas e descidas, estrada calma, acostamento ótimo, belo visual, sem falar nos PC,s, tudo de bom.  Este é um capitulo a parte que quero salientar bem. Chega de “balela” de dizer que o “Audaxioso” tem que ser auto suficiente e se virar. Tem que se virar para subir as lombas, com o calor, com o suor, com o frio, com as dores, arrumar seu pneu, ajustar seu equipamento, escolher tudo certo, fazer sua estratégia. Nos PC,s tem que ter estrutura. Não queremos fazer xixi no mato, largar o lixo na estrada e outras coisas mais, o PC tem que ter banheiro, bebidas geladas para tomar, algo para comer, lixeiras, uma pia para lavar as mãos e o rosto, enfim um mínimo de estrutura, o que neste de Santa Cruz em especifico não deixou a desejar. Não quero dizer que os outros não tem, mas estou apenas dando a opinião da maioria pelos elogios que foram ouvidos pelo caminho neste Brevet. Também os colaboradores tem que ser cordiais com os ciclistas e apoiar, porque de má vontade o Brasil já esta cheio.  Gente raivosa, que fique em casa vendo o Faustão ou Silvio Santos, sem passar sua má vontade para ninguém. Estamos ai para se divertir e fazer o que gostamos. Ai o pessoal pergunta por que ando 340 Km ida e volta para fazer um Audax em Santa Cruz do Sul, no caso deste, organizado pelo Valim e sua equipe, porque lá, todo o pessoal é cordial e somos bem atendido, no hotel, no restaurante do PC, nos outros PC,s, fazem tudo para nos sentirmos em casa. Em fim, é sempre bom chegar em casa e ver que valeu a pena.

Carlos Polesello

O texto acima é mais um relato gentilmente cedido pelo Carlos, amigo e ciclista audaxioso. Um relato externo é sempre uma fonte enriquecedora de  informações. Carlos é um grande "colecionador" de brevets, e carrega consigo também a experiência de provas de  200, 300 e 400 km.  O ciclista é um fiel exemplo de devorador de quilômetros, e sua experiência permite fazer críticas e comentários bem fundados, fruto da real experiência. É possível observar Carlos nos Audax de 200 e 300 km, mas já o vi fazendo também desafios de menor distância, como 80 e 120 km. Carlos é uma pessoa normal, não é atleta, mas um esportista pai de família, trabalhador, e que coloca em sua vida o brilho de ser Audaxioso. Prova para muitos de nós que é possível fazer muito, mesmo com a correria da vida. Desafiar-se faz parte, superar-se é para aqueles que conseguem manter a cabeça e o corpo em sintonia com meio ambiente. A vida continua, os brevets também, e toda forma de pensar deve ser respeitada. Aqui é o Bikes do Andarilho, onde se faz, se escreve e fotografa para valorizar a bicicleta, mas acima de tudo, as pessoas que se relacionam através dela. Roda pra frente... e pra não deixar a "peteca" cair, amanhã estarei em Galópolis na última etapa do campeonato Gaúcho de Downhill.

Roberto Furtado