segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O entendimento de um Audax - por Bagatini

O texto abaixo foi gentilmente cedido pelo Bagatini, uma das figuras mais ilustres das estradas dos Pampas. Bagatini é ciclista, reside em Lajeado (RS), e tem muita história para contar. Como esta abaixo, ou outras tantas como vir de Lajeado para Porto Alegre pedalando, e depois fazer um Audax de 1000 km. Escutar ou ler algo feito por ele, ou que ele esteja envolvido, é como poupar a estrada do aprendizado, pois esta é a função dos experientes, ajudar os novos! Pouco a pouco a gente tem oportunidade de conversar com ele e com outros grandes ciclistas, e isto faz com que eu, e outros ciclistas em início de carreira Audaxiana sejamos afortunados com este convívio onde o resultado é o precioso conhecimento. Ler e ver, sentir um Audax, talvez estas sejam as necessidades daqueles que estão ansiosos por uma estrada assistida, como são as provas da SAC ou de outros clubes que seguem rigorosamente as normas da ACP. Bagatini é um dos ciclistas que aparece no video da SAC, do youtube. Com certeza, as considerações a seguir são muito pessoais, deste, que é um dos maiores Audaxiosos do Brasil. Podem não ser regra, mas são válidos para um criterioso estudo para aqueles que buscam devorar Brevets, especialmente os de 400 km em diante. Bagatini é um dos ciclistas que tem mais brevets dentre os Brasileiros, conquistas pessoais importantes, como 600 e 1000 km. A foto abaixo escolhi e mostro com orgulho, pq flagrei este no dia em que receberia suas medalhas francesas (da ACP). O momento do milkshake é um exemplo bastante importante, até mesmo os heróis tomam milkshake!
Um abraço ao amigo Bagatini
Roberto Furtado




Uma das característica dos Audax/Randonnée no RS que pode ser perigosa é a difusão da cultura que as pessoas podem utilizá-lo para "aprender a pedalar", e a "pedalar bastante"! A quantidade de novatos (não em Audax, mas em ciclismo de longa distância) impressiona. Não afirmo, com isso, que um novato não consiga terminar. Muito menos que não deva praticar a modalidade. Essa decisão é responsabilidade de cada um.
O ponto central desse texto são as características de Audax/Randonnée e como elas podem afetar pessoas mais ou menos acostumadas a enfrentar essas características.
É um fato: corpo e mente sofrem menos se condicionados à atividade que forem praticar, principalmente as mais exigentes, como é o caso de pedais de longa distância. As (psicologicamente) intermináveis horas de esforço e privação às quais são expostos podem trazer desagradáveis consequências a quem se joga a essa atividade sem o devido preparo. Preparo que não se adquire em semanas ou meses. Não é exagero afirmar que alguns anos de prática regular são necessários para que o corpo possa estar absolutamente condicionado ao estilo da atividade, de forma a poder executá-la tranquilamente, independente da distância e das condições. Já o condicionamento mental pode vir extremamente rápido. Ou pode nunca chegar. Depende da vivência da pessoa.
Audax é um desafio pessoal. Audax não é um passeio. Mas Audax é também uma prova. E numa prova não se aprende nada; numa prova se presta contas. Um passeio de 200km podemos fazer no ritmo desejado, no trajeto desejado, com o apoio desejado, aplicando o esforço que bem quisermos. Num Randonnée não. E certamente não num Audax (propriamente dito). Caso contrário, há o sério risco de não completarmos a prova até bater o sinal ;-)
Audax não é um meio para se pedalar longe. Audax é um fim, uma culminância social de pessoas que regularmente praticam longas pedaladas, solo ou em grupo. É o momento onde quem gosta de pedais maiores que o normal se encontra com colegas conhecidos e desconhecidos para socializar e trocar experiências.
Audax, como comentou anos atrás o Helton Scheer de Moraes, também não existe para que ciclistas que não competem ganhem medalhas ou subam ao podium. A medalha de um Audax/Randonnée é como uma fotografia. Provavelmente só tem valor para quem aparece nela.
Para concluir, reitero o colocado acima: o objetivo do texto foi tão somente sugerir que longos pedais sejam atividades corriqueiras dos participantes de Audax, de forma a torná-lo cada vez mais efetivamente o evento de integração que se propõe a ser.

Paulo Roberto Bagatini