quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A polêmica entre a EPTC e a Massa Crítica

Grupo de ciclistas do movimento Massa Crítica

Saiu no Jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, RS, na data de 30 de Novembro de 2011, uma versão da Empresa Pública de Transporte e Circulação, questões relacionadas ao movimento da Massa Crítica. Resolvi realizar algumas considerações sobre as argumentações sobre ambas partes, sem intenção alguma de ofender ou diminuir uma ou outra instituição/movimentação. O movimento da Massa Crítica, segundo eles mesmos, não tem um líder. As decisões surgem de argumentação do consenso de todos participantes. O passeio protestante ocorre na última sexta feira de cada mês, partindo do Largo Zumbi dos Palmares (junto a perimetral). Neste movimento se apresentam centenas de ciciclistas, de todas as idades, sexos, religiões, etc, um público bem variado. A EPTC afirma que durante os eventos estão ocorrendo provocações por parte de ciclistas em relação ao veículos, e que o trânsito esta sendo prejudicado. A EPTC reclama que os passeios não estão sendo informados a ela, e que isto seria incorreto. Por inúmeras vezes realmente se soube de tais provocações, na condição de ciclista, e de repórter fotográfico, presenciei alguns episódios que testemunham esta questão. Lembro também que de forma inversa, ocorre sempre, bastou um ciclista estar na rua conforme a legislação de trânsito garante o direito, e lá esta o motorista que agride ou desrespeita as leis de trânsito e arriscando a vida de qualquer vivente que utiliza as vias e passeios da cidade. A EPTC tem sim um grande problema nas mãos... ciclistas também! Acredito que os ciclistas, em sua maioria são pessoas de bem, da paz e ordem, mas existem indivíduos que estão realizando protestos de forma completamente inadequada. A EPTC não somente fecha os olhos para os ciclistas desrespeitados na rua, como também desrespeita o código de trânsito... quando? Sempre que cria impecílios ao livre fluxo de ciclistas. Exemplo... na diário de notícias, foi criado uma ciclovia que é completamente inadequada ao trânsito de bicicletas, nesta circulam pedestres entre ciclistas. Pq? Porque não há calçada! Sim, alem do pavimento ser completamente inadequado a maioria das bicicletas, pedestres circulam entre ciclistas. Alguns ciclistas optam em não usar este espaço, e trafegam no asfalto juntamente dos veículos, e neste caso, passam a ser vistos como cidadãos que usam inadequandamente o espaço, pq estão fora do espaço oferecido. Parece correto? Não deveria ser a EPTC uma empresa que deveria zelar não somente pelo tráfego como pela segurança de pessoas que não estão protegidas no interior dos veículos? E neste ponto há uma curiosa questão, onde quem escolhe trafegar de carro, assume o risco de ferir pessoas em acidentes. E pessoas que utilizam transporte público, bicicletas ou o próprio passeio para se deslocar, estariam a margem de risco por conta de motoristas que não respeitam leis. De qualquer forma, ciclistas são pessoas, pedestres também, independente de classe social, poder aquisitivo, ideais de vida! Nada justifica ameaças feitas por ciclistas aos veículos, chamamos de vandalismo. E neste caso, penso que esta é uma questão de polícia, e não de fiscal de trânsito. Sim, ciclista que agride veículo, deve ser reprimido, contido como vândalo! Assim como o poder público também deve ser responsabilizado. Omissão, descaso, desrespeito de lei e ordem, ao meu ver torna o fiscal ou o orgão um transgressor da lei, e neste caso seria cabível uma punição, administrativa, por exemplo e dependente da gravidade. O fato é que muita coisa esta acontecendo neste movimento, e me parece que a alegação de não ser notificada, como afirma a EPTC, parece ser "vista grossa", ou "fazendo-se de louca", pois os protestos tem local e hora para partir, e a empresa tem plenas condições e conhecimentos destes. Um puxão de orelha é totalmente válido para as duas partes, para ciclistas... Ordem e exemplo! Para EPTC, coerência, motivação e atenção. Finalizo deixando em aberto uma pergunta: Pq o impasse não é resolvido, uma vez que se tornou problema de longa data aos olhos da EPTC? Não seria ela "gerenciadora" do trãnsito? Quem é capaz de multar, atribuir responsabilidades a motoristas, deveria ser capaz de apresentar soluções inteligentes ao trânsito com bicicletas. Já se foi o tempo para espera...

Roberto Furtado