sábado, 3 de setembro de 2011

Oficina... pivô de freio quebrado, e agora?

Boss de freio (doador)

Frame com pivô quebrado

Prisioneiro colocado

Comparação entre o original e o reparo

Colocando a face deslizante do pivô

Pronto!
Este post era uma promessa, agora, esta feito... Pensei várias vezes em solicitar o trabalho de um torneiro mecânico, mas concluí que desta forma estaria desencorajando o ciclista "aventureiro da oficina" a realizar a tarefa pelo custo elevado. O custo numa tornearia de boa qualidade, poderia variar de 30 a 90 reais para este serviço. Fazendo em casa ("homemade"), acredito que estaria criando iniciativa em diversos colegas de manusear e reparar suas bikes em casa, descobrindo que existem outros entretenimentos no mundo da bicicleta. Esta operação não é muito arriscada, principalmente se você conseguir um parafuso de grande dureza, encontrado em casas especializadas em porcas, parafusos e arruelas. O atendente deste tipo de comércio, saberá o que indicar. Peça um parafuso ou prisioneiro forte, se encontrar de inox, pode ser, pois geralmente já são encontrados em dureza elevada suficiente. Esta operação não é recomendada na garagem de sua casa, se for para o garfo dianteiro, pois este é mais importante, e recebe muito mais esforços que o traseiro. Para garfos, recomendo realizar a tarefa em um torneiro. Economizar alguns trocados para depois ter prejuízo ou risco de vida, não compensa! Os esforços de torção são violentos nos freios da roda dianteira, na roda traseira os esforços são reduzidos, pq se acionarmos com excesso de força, a roda arrasta. Ao andarmos na bicicleta, nosso cérebro aprende a comandar o acionamento do freio, sendo suficiente para parada, sem arrasto, com o esforço mínimo. Algumas pessoas arriscam a força exata de frenagem na roda dianteira em 70%, não acho que este seja um número exato ou próximo, pois são tantas as variantes que seria  impossível criar uma regra, ou precisar um número. O caimento do plano, altura do selim, geometria do quadro, comprimento do quadro, presença de suspensão, dentre outros detalhes, acabariam por determinar o real esforço da frenagem. Isto é possível somente com um estudo detalhista, que acredito não existir... talvez em motocicletas que usem sistema ABS, e olhe lá! Seja como for, e voltando ao conserto de suportes de freios, ou bosses do vbrake, também conhecido como pivô do vbrake (que serve também ao sistema cantilever), segue um quase passo a passo. Primeiramente, iniciaremos a operação alinhando o pivô. Quando ele quebra, pode ocorrer da parte que sobrar ficar atravessada, e para alinhar, uma lima fina serve (ferramente de limar). Esta etapa é bem trabalhosa, pois o alinhamento deve ser perfeito, ou quase. Quando o enxerto for instalado, ambos devem ter suas faces alinhadas, caso contrário criarão um "empenamento" no parafuso que vai unir as mesmas. Este empenamento do parafuso pode criar uma instabilidade na resistência do mesmo, e projetar o mesmo a esforços concentrados em determinado ponto da secção do prisioneiro. Geralmente a fadia ocorre por esforços cíclicos em dado ponto, portanto certificar-se de que os esforços serão distribuidos por igual, trará tranquilidade ao rodar. Gostaria de apontar um possível problema enfrentado durante a manutenção dos vbrakes. É possível que durante uma limpeza, onde os vbrakes são retirados para lubrificar a face deslizante, ocorra a remoção total deste reparo. Não acredito que alguém tenha problemas com isto, pois basta recolocar, ficando atento para que fique sempre firme. Se achar necessário, existem colas específicas para firmar o parafuso (ou prisioneiro) na rosca, desta forma não se arrisca escapar, desroscar, ou espanar por movimentos cíclicos. Não creio que seja necessário firmar de alguma forma, mas lembro que um soldador pode utilizar solda prata para fixar o prisioneiro e o pivô, tornando o sistema mais forte que o original devido a "massa" volumétrica que receberá os esforços. Ressoldar um conjunto completo é para último caso. O motivo é simples... dificilmente acharás uma peça igual a orginal, pois elas geralmente se diferem na base e comprimento. O padrão é somente na face deslizante, e mesmo assim já observei que existem peças diferentes. Também vale lembrar, que um quadro soldado posteriormente a pintura, acabará perdendo a tinta nesta região, prejudicando a aparência, e talvez a originalidade do material. O perfeito alinhamento é um outro problema, pq estes sistemas sem fixados por meio de gabaritos, onde é padrão. Retirando, não se consegue deixar em mesma angulação... prejudicando a aparência do quadro. E afinal, estamos a falar de quadros de Cr-Mo, cada vez mais raros. Espero que este post sirva para ajudar alguém, embora esta problema não seja tão comum, mas já vi quadros serem perdidos por problemas banais como este... então aqui reforço que isto não é problema sério. Sério é dar um uso radical ao um quadro de alumínio, mantê-lo sujo, e nunca preocupar-se com a fadiga. Cedo ou tarde, ela chegará.

Roberto Furtado