sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Evolução de componentes, complicações e disponibilidade


Ano passado a Shimano anunciou o grupo Alivio com 27 velocidades. Este ano o grupo surgiu fortemente no mercado, talvez como uma tentativa de tornar grupos de 27 velocidades uma realidade mais próxima da maioria da comunidade ciclística. Particularmente, torço o nariz para o sistema de 27 velocidades por um motivo simples... Quando é preciso realizar a manutenção da bike, trocando cassete e corrente, ou apenas corrente, lembramos da diferença de valor dos componentes. Um cassete Shimano Alívio de 8 velocidades (para grupo de 24 velocidades), custa no mercado algo em torno de 50-60 reais. Pode também receber a peça dos grupos irmãos mais modestos, como Acera e Altus, o que torna a questão ainda mais em conta. Se tratando de 9 velocidades, este componente passa a ter valor aproximado de 80-100 reais. Neste caso estamos falando de algo que tem quase o dobro do valor... e aí começam questões muito pessoais, como o próprio bolso, ou disponibilidade de peças em lugares onde não há procura rotineira por estas. Se fores a Tramandaí (RS), encontrarás a peça, ou não, talvez dependendo do dia, e se fores a cidades menores, muito provalmente não encontre nem mesmo altus, o que dirá de Alivio de (velocidades). Claro que ciclistas experientes, ou que costumam levar suas bicicletas em boas casas e oficinas de bicicleta (coisa escassa na atualidade!), jamais terão problemas com o cassete... mas a corrente pode apresentar um problema. E qual corrente você vai usar? Será encontrada a HG-53 em Balneário Pinhal, ou São Gabriel (RS)? Sem desmerecer as cidades em questão... conheço ambas, e as adoro. Citei estas justamente por conhecer, e desta forma não criar uma polêmica em cima de qualquer questão que pudesse diminuir as mesmas. Acredito que a corrente deve ser jogada fora ao menor sinal de desgaste... uma corrente trocada no tempo certo, permite longevidade para o cassete, e para as coroas do pedevela. É possível dizer que um cassete pode durar 2 mil km, ou 15 mil km, dependendo do cuidado, e usuário. Alguém que pedala pesado, mantem seu material sujo, com lubrificação insuficiente, acaba por desgastar precocemente um conjunto que duraria muito mais nas mãos de alguém caprichoso. E se trocar a corrente for precaução, prudência a fenômenos que se entendem por fadiga, então a troca antecipada da corrente permite longevidade para o cassete, coroas do pedevela, e custa muito menos... ou maior qualidade ao pedalar, se pudermos entender que um material controlado com maior assiduidade, acaba trazendo conforto, tranquilidade e confiança ao pedalar por lugares distantes. Esta questão pode ser lembrada por comparação a veículos novos... carro novo, menor chances de deixar na mão, pelo menos em teoria. Uma corrente KMC Z72, pode ser encontrada por até 30 reais, algumas vezes, menos. Isto mostra uma diferença de valor em 50%, viabilizando a troca antecipada que descrevo. Não acredito que uma relação extra no caso de um cassete, "mereça" o investimento tão superior para corrente, trocadores, cambio e cassete. Seriam vários os componentes novos, de nível mais elevado, em favor de uma única marcha extra... muitas vezes para um uso de estrada, ou de cidade, em passeios, onde esta questão, não tem menor relevância. Faria sentido? Em provas, talvez... para mobilidade urbana, cicloturismo, ou qualquer relação com passeio, isto não faz diferença. Tem assunto para se acabar escrevendo... e tem posicionamentos muito pessoais nesta abordagem, mas não esqueça. A corrente é projetada para durar menos que um cassete!

Roberto Furtado