quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A complicada tarefa de reparar bikes old school...

Uma das aquisições que fiz para reconstrução é de um quadro de Bernardi. Este quadro comprei por uma bagatela, ao meu ver. Peça de Cr-Mo, possivelmente da década de 90. Paguei uns 100 reais nele, mas junto dele vieram alguns graves impecílios reparativos. Nada nesta vida é exatamente definitivo, mas muitas das vezes torna-se inviável economicamente. E quando é assim a questão é procurar por alternativas viáveis, creio que o antigo dono pensasse assim... motivo que o levou a vender. Quando comprei, senti o problema, mas não me abalei. Pensei que o Tchaka ou um bom Torneiro teriam a solução para resolver. O problema deste quadro é que esta com uma caixa de movimento central ainda original, da campagholo, e o encaixe da ferramenta extratora esta "espanado". Já era... a única forma de retirar a caixa é em síntese, "esbudegando" a caixa de movimento central. A questão parece simples, mas é preciso lembrar que a peça deve ser retirar sem danificar a rosca ou desalinhar o quadro. E é neste que mora o perigo... o risco de perder algo que esta na beira do abismo. Se o vento bater para lá, cai... se a decisão certa for tomada, estará resolvida a questão. Me considero um vivente experiente no assunto reconstrutivo de bikes, parte devido ao meu contato com a engenharia mecânica, e parte pelas experiências vividas e resolvidas. Além deste problema, nota-se também algumas porquices por parte do antigo proprietário. A "orelha" para cambio braze-on esta quebrada, e foi esmirilhada. Este problema será resolvido facilmente com acabamento decente, e com uma abraçadeira que substitui a necessidade desta "orelha" braze-on. Atrás, nas gancheiras horizontais, haviam pequenos parafusos que regulavam a roda empulsionando-a para frente através do eixo. Este limitadores estão completamente tortos, e não são fáceis de arrumar, embora sejam parafusos. Penso que a solução virá de prisioneiros adaptados ali, e para ajustar serão regulados usando uma chave alen. Também há um quarto problema... a inexistência do garfo. Devo garimpar um garfo para susbstituir o original que é foi sumido. E a pergunta é: O que foi feito com o garfo original de uma speed italiana? Se o garfo entortou numa batida, deveria o quadro estar danificado também... mas isto não ocorreu de fato. Mais uma vez, considerando meus instintos locais, penso que o garfo foi substituido por uma bobagem qualquer em alumínio ou carbono, como muitos costumam fazer, e o original se perdeu em alguma garagem ou oficina. Talvez nem exista mais...
O resumo de tudo, embora eu estivesse certo de que haveria tudo isto aqui, é que sempre haverá trabalho adiante do que se espera. Em reconstruções, raramente as coisas caem do céu, mas a reconstrução é presente que vem de lá!

Roberto Furtado