quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Hábito de guidão alto...

Muita gente deve pensar que apenas um louco colocaria um guidão tão alto em uma GT, a exemplo do último post (da GT Outpost). Pensando que isto deve ser bastante comum, devido a raridade de se ver bicicletas com esta configuração de montagem, resolvi me explicar um pouco. Devemos refletir a respeito. As bicicletas como a citada GT, bem como as atuais, utilizam desenho de guidão que geralmente não excede 3 cm de elevação partindo-se do suporte onde são presos. A verdade é que estes modelos são aplicados em bicicletas cuja intenção inicial é 100% esportiva, e em provas o guidão baixo permite uma série de vantagens, sobretudo permitindo arrancadas fortes e melhor posicionamento aerodinâmico em grandes velocidades. Como tudo, nas tendências mundiais do consumismo, fabricantes acabaram por manter este mesmo desenho de guidão para bicicletas de passeio. Onde somente aqueles que se garantem (as grandes marcas), possuem modelos específicos para passeio com guidão alto, mesa ajustável em altura, e outras melhorias do conforto (banco alto e largo, canote amortecido, etc). Em saída para isto, percebe-se que as tendências evoluiram para melhorar o conforto sensivelmente, onde nascera o guidão com alguma elevação, e os quadros com desenho slooping passaram a ser comuns a diversos fabricantes. Estas mudanças ocorreram já nesta última década, no novo século. Como não existem quadros antigos com desenho que favoreçam a elevação da frente, principalmente por não aceitarem suspensões modernas e elevadas, os antigos acabam ficando muito melhores com guidão de passeio. Como defini na GT Outpost. Trata-se de uma opção muito pessoal, e somente aqueles que comumente realizam passeios longos com 60, 90, 150 km compreenderiam estas diferenças. Perde rendimento? Sim, perde... perde força de tração por causa do posicionamento, perde-se com resistência no ar com o vento que explode no peito, e em outros pontos para aquela geometria desenvolvida. E onde se ganha? Se ganha em conforto nos passeios por termos um guidão que absorve mais as vibrações do solo e no melhor posicionamento das costas, ganha-se em visibilidade quando pedalamos entre o trânsito, e consequentemente na segurança. Isto tudo é muito pessoal, haverão outros ciclistas que pensarão que as vantagens são outras, ou que não existem vantagens. E tudo que posso dizer para convencer é que nunca vi um ciclista se queixar da posição que defendo, mas vejo muitos ciclistas reclamando do guidão baixo.

Roberto Furtado