sexta-feira, 16 de julho de 2010

Se é vbrake, cantilever ou disco... o importante é que segure!

Foto: Roberto Furtado / Bikes do Andarilho.com
        Se tratando mais uma vez de bicicletas, a questão fundamental ao pedalar é o conjunto de componentes de uma bike. E alguns dos componentes são menos expressivos ou mais significativos em termos de qualidade na função exercida. Os freios são componentes que não recebem atenção de muitos ciclistas. Como é comum encontrar um ciclista com sapatas de freio gastas, ou de má qualidade, sem esquecer que na maioria dos casos... o conjunto de freios não é boa qualidade. Diversas vezes, conversando com colegas e amigos relacionados ao mundo da magrela, me deparo com discussões variadas quanto a preferência e/ou eficiência de cada opção de sistema existente. Não acho que o freio a disco seja impróprio ao cicloturismo, pq em tese ele é o único que pode continuar rodando mesmo com uma roda empenada, sem oferecer problemas ao biker. Enquanto freios tradicionais como cantilever, v-brake ou outros modelos pertencentes a variados conceitos atribuidos em bikes road (speed), necessitam soltar o cabo ou até desengatar o acionamento para que seja possível continuar rodando. Conceitos e conceitos, onde se chega com tantas discussões? Afinal, a necessidade de cada é tão diferente, que nem mesmo as tantas opções preenchem as lacunas da necessidade. Sempre aparece algum tipo de bike e de aplicação que ao período de uso, concordamos que algum detalhe poderia ser mudado. Ou isto, ou somos tão exigentes quando o assunto é bicicleta, que chegamos aos bordos da loucura ciclística. Não é tanto faz... um disco hidráulico pode ser a opção com maior desempenho, também a opção de maior valor agregado, e ainda a opção mais sem recursos de manutenção se estivermos longe de tudo. Imagine o biker passando pela Cordinheira dos Andes, após um tombo que teria por azar, condenado o conduite hidráulico, e continuar descendo grandes ladeiras na confiança de um único freio. Talvez não seja tanto problema quanto imagino, mas acho muito menos provável que um cantilever seja danificado em uma queda. Outro dia vi um disco de freio em uma bike cujo pneu era de medida 700 x 23. Puxa, fiquei quieto, comparando que era tipo usar um freio de trator em um fusca. Talvez a justificativa para aquilo tenha sido apenas para poder acomodar as rodas 700 em um quadro original de MTB... mas pneu 700 x 23? Que é isto? Imagina colocar uma suspa com 160 mm de curso em uma speed... é mais ou menos por aí, ao meu ver.
Coerência no uso e na montagem das bikes, isto sim leva a algum lugar... leva a bikes harmônicas, bikes confortáveis, freios silenciosos e precisos. Fissurado por bikes da década de 90, cavalos de aço, vi o cantilever em boa eficiência para o uso urbano. Não precisava mais do que aquilo, mas o despreparo das oficinas para ajustar o cantilever acabava por rebaixando-o em capacidade. Ao fim da década de 90 o cantilever estava afogado, substituindo este por vbrakes, que funcionam muito bem. Os vbrakes são muito fáceis de regular, são bonitos, eficientes, mas limitados de igual forma ao empenamento das rodas. Buracos sempre haverão, e empenamentos de rodas são resultado disto. Para todo lado e opção que nos inclinarmos, veremos vantagens e desvantagens. Acho o disco pesado para muitos dos casos de bicicletas de estrada... mas também já vi que é a única opção para alguns ciclistas é colocar discos, já que algumas destas bikes foram projetadas para aros de 26 polegadas, e os mesmos aplicam rodados de medida 700 ou 29. Para estes casos não há remédio, entretanto poderiam evitar o exemplo que citei anteriormente do pneu extremamente fino.
No fim, acho que importa mesmo é ter um ótimo conjunto de freio, seja ele de cantilever, vbrake ou discos... ou ainda estas opções que andam aparecendo recentemente no catálogo da shimano, coisas que ainda não conseguir ver, mas que geram muita curiosidade e simpatia.
Revise sempre seus freios... mantenha estes em dia para evitar surpresas.

Roberto Furtado