segunda-feira, 26 de julho de 2010

Memória sobre bicicletas, doces e praia

O homem em sua trajetória de vida se depara com tantos pensamentos. Pensa e repensa na vida, nas decisões tomadas, se fez certo ou errado, ou se as escolhas foram simplesmente as melhores. Acho que a gente sempre tem estes pensamentos sobre fazer melhor, tentar corrigir o passado, como se fosse possível reordenar os acontecimentos. E quando lembro destas coisas, lembro da infância, onde quase tudo que fiz, faria novamente, sem alterar nada. De maneira geral devemos nos arrepender de coisas que não fizemos, pq crianças não fazem nada por maldade, pelo menos não as crianças do tempo em que fui criança. O tempo nos causa esta nostalgia, esta necessidade de viver o passado, pq nos olhamos no espelho desejando voltar. Queremos viver as inocentes intenções da infância... me lembro da praia, de picolé e areia, de bicicleta nas ruelas esburacadas da praia do Pinhal. Tinha um bicicleta, depois outra... e os anos foram coloridos naquele tempo, onde ia na padaria buscar o café da tarde, pq dava aquela fome depois das brincadeiras. Ás vezes ia pescar sozinho, ás vezes pescava com o Furmiga, amigo de infância. Ás vezes no mar, ás vezes num banhadinho perto de casa, as vezes caminhava bem e ia até a lagoa, as vezes dormia a tarde... as vezes a gente nem fazia nada. Buscávamos aventuras atrás de girinos, peixes, sapos, brincadeiras que nem fazem sentido aos adultos. Ficávamos lá jogando conversa fora, sobre coisas que a gente pensava que ia fazer um dia, quando fosse mais velho. Pensava em futuro com outra visão do mundo, um mundo de doces, bicicletas, pescarias, taco, etc Depois que a gente ficou mais velho, pensava que sabia tudo, pensava nas meninas, o que dizer a elas para convencer de ganhar um beijo... pois é, assim foi o tempo. O tempo onde não havia quase medo de ladrão, nem de faltar dinheiro, nem de coisa alguma. Acho que o único medo era não crescer, e hoje, meu maior medo é não conseguir envelhecer com saúde. Também receio esquecer isto tudo que fiz quando era criança. Se penso que fui tão feliz na bicicleta, ou com meu amigo de infância do qual as vezes me esqueço pela distância, bom, acho que é pq a vida me fez um adulto melhor. Não melhor do que era quando criança, pois adultos não são tão bons quanto deveriam ser. Pq agora pensamos em coisas menos interessantes, como dinheiro, carreira e outras necessidades sem lógica. Pq ainda não entendo como pode haver algo mais importante do que a simples felicidade de pedalar, pescar ou brincar...

Post dedicado ao meu amigo Furmiga, Rodrigo Mabília, pelos anos incríveis em uma praia simples como nós.

Roberto Furtado