sexta-feira, 4 de junho de 2010

Vento do Destino - por Andarilho

A maioria dos amigos que me acompanha nesta jornada "escreverina" sabe que faço pq gosto. Minha intenção sempre é me manter próximo daqueles que se parecem comigo na forma de pensar, de viver, de observar os valores da vida. Muitos devem gostar, outros nem tanto, mas não espero agradar a todos, pq isto me faria ser comum, e comum não sou e nem quero ser. Acho que ciclistas são pessoas especiais pq conseguem ter uma ótica própria. A sensibilidade é maior em uns, e outros são capazes de apreciar... ou então, tanto faz, não faz diferença se a gente não se incomodar. No fim vale a pena apenas ser feliz, fazer coisas que gosta, caminhar por aí, sentir o vento, tomar um chimarrão. Cada um com suas manias e bobagens... chama-se livre arbítrio. Nos foi dado no dia em que nascemos, e até hoje não conseguiram colocar preço nisto, e espero que assim fique. Há tempos escrevo crônicas, contos, poemas, relatos, etc. E é possível que num futuro faça uma coleção destes para publicar. Não decidi ainda pq espero um amadurecimento interior. Então gostaria de compartilhar aqui. É pequeno, é simples, mas ajuda na reflexão... Passe o link se quiser, mas não desconsidere autoria, caso contrário seria mais um em milhares perdidos na rede, sem devida autoria.
Vento do destino
Ontem, vento veio e soprou a manhã. Uma folha de árvore, seca e curva, correu a rua... dançou em frente a minha janela. No encontro entre dois muros, girou e girou, como se ali houvesse um pequeno cone de vento. Linda e indescritível mágica do vento sobre uma simples folha seca... resto de um ser inanimado, agora movimentando-se como se houvesse vida. Quando atingiu o topo do muro, escapou do turbilhão, sendo carregada por outra corrente... de vista a perdi! Novas folhas vieram, repetindo a cena em frente a minha janela, mas curiosamente, nenhuma delas dançou como a primeira, nenhuma delas fez dezenas de giros sobre o eixo do turbilhão, que somente percebi pela folha. Folhas e pessoas, talvez sejam comparáveis, algumas são comuns e sempre passam, outras... deixam saudade! O cone de vento, só pode ser visto quando a folha interagiu com ele... talvez este tenha sido o que chamam de destino, neste caso, da folha. Pessoas também são assim, precisam de interação e oportunidades. O cone de vento, com toda certeza, estará lá... mas sem a folha seca, jamais será visto, relacionada dependência! Hoje, nem brisa faz... o cone de vento não esta, tampouco a folha seca. Incrivelmente e estranhamente, distintos, combinam entre si... aguardam um novo encontro de vento, como namorados do tempo!

Roberto Furtado