quarta-feira, 23 de junho de 2010

O renascimento de uma Trek 470 - 2ª Parte




Enfim, chegamos ao momento final de uma jornada... renasceu um clássico da década de 90, fabricada em Cr-Mo, e que em versão especial não tão comum, possuia 21 velocidades. Isto mesmo... a Trek 470 foi fabricada em duas versões, uma com 14 velocidades, e outra com 21 velocidades de coroas reduzidas, ovais, conhecidas por biopace. O biopace é um paradigma, e não se tem certeza de sua eficácia, embora seja a shimano afirmadora deste conceito. A versão de 21 velocidades era uma proposta para enfrentar subidas, provas longas com grandes diferenças de altura. A cor vermelha ficou bastante próxima da original, mas sabemos que original, somente uma vez. Sempre que me perguntam a respeito dos adesivos, respondo que não acredito que a colocação destes torne a bicicleta mais original. Acredito que diversas ações que buscam a originalidade, como a pintura idêntica e a colocação de adesivos, bem como qualquer outra para indicar originalidade, acabam por entregando pontos conquistados na reconstrução. Isto pq não se consegue pintar igual, não se consegue adesivar igual, não se conseguem nem peças iguais, e aos olhos de quem entende, acaba em restauração frustrada. Então se falamos em original, sabemos que se trata de uma bicicleta que nunca teve peças substituidas ou pintura refeita, seja qual for o estado da mesma. A configuração... cubos shimano exage, freios shimano exage com maçanetas tektro, trocadores de downtube shimano, cambio traseiro shimano exage; cambio dianteiro shimano sora braze-on, movimento central shimano un-26, pedevela triplo exage reduzido (48-38-28T), cassete shimano exage, mesa em Cr-Mo, guidão em alumínio, lâminas em aluminio, raios inox, pneus cheng shin tire 700 x 20 C, canote de selim zoom polido, selim velo road, fita de guidão velo (branca). Exceto pelo cambio dianteiro sora, e pelas maçanetas de freio tektro, canote, selim e caixa de direção, que são produtos novos, o restante é inteiramente da época em excelente condições de conservação. Uma curiosidade e um problema da época, assim considero, é a altura do guidão. Na atualidade o conceito speed evolui para uma geometria sloop e com isto ergueu-se o guidão. Nas antigas, como a Trek 470 esta posição do guidão geralmente se concentra 10 cm abaixo da altura do selim. O que no meu entendimento é uma questão esportiva, que não busca conforto. E isto deveria ser resolvido. Para resolver ou amenizar este tópico, garimpei um garfo exatamente igual, original de um mesmo modelo porém de espiga com maior comprimento. Com isto a caixa de direção elevou-se permitindo que a inserção mínima do avanço fosse elevada sem prejudicar a segurança do ciclista. Também consegui este avanço que é igual ao original, porém possui angulação positiva, para fins de mais uma elevação. Com estas pequenas modificações que não comprometem a qualidade do material, e não distoam da época (recursos disponíveis na época), consegui obter uma melhor posição tornando a bike mais confortável. Conhecedor de Trek desta geração, acredito que a bike ficará muito confortável. Ainda sim, por ser de Cr-Mo, a Trek 470 é uma absorvedora de variações do pavimento, aumentando ainda mais o conforto do ciclista. Considero este um de meus melhores trabalhos, e que teve dificuldades que exigiram paciência, dentre algumas o garimpo de componentes.

Curiosidades... depois de quase tudo montado, levei a bicicleta sendo empurrada até a casa do amigo Tchaka. A distância é de algumas quadras, leva uns 10 minutos a pé... e no trajeto não era pequeno o número de pessoas que ficavam a olhar a bike. Ela ficou estonteante, ou pelo menos diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver por aí, nestas ruas de uma Porto Alegre. Também é necessário ressaltar que pesei a bicicleta, em uma balança imprecisa, ficando seu peso total em 9 kg. Fiquei imaginando se fossem tomadas medidas que reduziriam seu peso sensivelmente, como cortar o excedente de canote, retirar ou substituir parafusos, cortar excente de cabo, alterar componentes por semelhantes mais leves. Isto sem falar que a bike é montada com rodas de 36 furos. Imagine tudo isto em cima deste conjunto que já esta leve por natureza simples, e teremos uma esportiva de Cr-Mo com peso que deveria girar em 8 kg, pelos meus cálculos um tanto quanto brutos.

Com relação as fotos, gostaria de ter feito fotos melhores, porém ando meio sem tempo para fazer as mesmas. Queria ter levado a bicicleta em um parque, onde normalmente tenho realizado as fotos, porém o clima não ajuda, e quando ajuda não tenho o tempo disponível. Por hora ficam estas imagens, e talvez adiante eu as refaça.

Regulagem/Lubrificação: Carlos Horn (Tchaka)
Garimpo/Montagem/Texto/Fotos: Roberto Furtado (Andarilho)