sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mãe de um ciclista... uma super Mãe!

Embora o título seja sugestivo, este assunto nada tem com ciclismo, exceto de que eu sou muito ligado ao esporte. Hoje vou falar de minha mãe, um resuminho da vida dela, e pq devemos ter determinação. Pode parecer um pouco egocêntrico este post, mas acho que ela é também um exemplo a ser seguido. Já tenho quase 34 anos, e minha mãe me teve ainda jovem, com 22 anos. Fico a pensar como é para um menina ter um filho, nos medos, na responsabilidade, pois eu com 22 anos poderia ser chamado de desmiolado. Neste tempo, minha mãe já dava aula no vila, era professora e subia o morro para ensinar. Nesta atitude já devemos todos concordar que para uma jovem mulher subir o morro e dar aula para receber o que recebem hoje as professoras de ensino público, só poderia ela estar se doando a estes alunos. A vida não é fácil... minha mãe, juntamente com meu pai, tiveram 3 filhos, e trabalharam duro para dar boas condições de vida a mim e meus irmãos. Todos sabem disto, todos sempre dizem saber, mas todos os dias vejo a desvalorização de mulheres, na maioria delas, mães de família. Minha mãe estudou, se formou, trabalhou, foi estudar enquanto trabalhava e cuidava da casa, concluiu o mestrado, e foi dar aula em uma universidade. Tempo depois foi demitida, politicada de Universidade privada e nova, nem vem ao caso... mas ela se desgostou, ficou desempregada, e felizmente meu pai já possuia uma boa condição de aposentadoria para que pudessem manter o lar. Passaram-se anos, e minha mãe não quis mais dar aula, perdeu a graça para aquilo. Com os filhos crescidos e 56 anos nas costas, sentia-se rejeitada pelo mercado. Entendo bem pq percebo que não importa o quão honesto e bom você seja, sempre haverá um motivo para colocarem alguém no seu lugar... pode ser alguém que ganhe menos, alguém manipulável, a hora certa. Foi então que minha mãe voltou a estudar, pensou em fazer concursos... disse que queria trabalhar na polícia. Fiquei pensando que ela estaria louca, embora não demonstrasse mais nenhum sintoma que comprovasse estado anormal. Fiquei anestesiado, pasmo!Não levei muito a sério aquela continuidade, e depois pensei que ela não fosse conseguir passar nos testes físicos. Fumou por muitos anos, e não praticava qualquer exercício. Procurou uma especialista para iniciar-se nos esportes, fazia academia e começou com caminhadas. Em seguida começou a correr, e teve fratura por estresse... ali pensei que as coisas realmente não iriam prosseguir. Então ela se recuperou e retomou as corridas. Passou no concurso com boa classificação, depois fez testes físicos e passou muito bem... melhor que alguns jovens inclusive. Hoje ela esta em treinamento, na academia da Polícia Civil. Se ela vai continuar, já não importa... já não tenho dúvidas de que ela consegue. Depois de tudo isto, ela com 57 anos, recomeçando uma vida profissional dizendo que quer ajudar o outros, não posso deixar de me emocionar e de dizer como tenho orgulho dela, como estou feliz. A gente tem sempre em que se mirar... e felizmente, tenho uma super Mãe. Talvez seja por isto que nós sejamos Audaxiosos, pq nossas raízes trazem familiares e antepassados destemidos. Ficamos na obrigação de enfrentar nossos medos, nossas frustrações... precisamos fazer para acreditar que podemos.
Obrigado por ter lido mais este devaneio.
Um abraço
Roberto