quarta-feira, 17 de março de 2010

Relato de Carlos Polesello - sobre Audax 200 / 2010

Antes der ler o relato do colega ciclista e amigo Carlos Polesello, gostaria que você levasse em conta as coisas mais importantes sobre este tipo de prova. Lembre-se que o Audax não é uma competição, mas sim uma prova de superação pessoal. Carlos já não é um garoto, mas de qualquer forma, sempre supera suas marcas, provando para ele mesmo que é capaz de realizar aquilo que deseja. Um Audax é uma prova mental, onde a mente cordena o corpo, como se ela soubesse que e o conjunto é capaz de algo que o corpo não acredita. Se tiver alguma dúvida disto que descrevo, então, talvez você não tenha feito um Audax. Longe de ser uma competição entre os participantes, reforço que Carlos, embora com idade superior a minha, atinge metas muito superiores as minhas. E talvez isto seja fruto não somente de capacidade física, mas sim mental como descrevo... a estratégia faz o ciclista Audaxioso. Que este colega seja uma referência muito positiva aos demais colegas.
Um abraço
Roberto Furtado
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Audax Randonneé 200 +200

Nem sabia se conseguiria fazer, mas fiz a inscrição para dois Audax seguidos. Um em 07/03 e outro em 14/03, ambos de 200 km. Para quem já me conhece sabe que não sou de “roer a corda”, mas não tinha a certeza que faria os dois. Fiz o primeiro em 07/03 com o tempo de 9:29 horas e cheguei no fim bem fisicamente. Resolvi seguir as dicas da fisioterapeuta que fez palestra no dia anterior ao Audax e acho que deu resultado. Na quarta-feira já tinha certeza que iria fazer o próximo, isto é, já estava me sentindo em condições. No domingo passado, 14/03, fui para o DC Navegantes, local de saída dos dois Audax bem tranqüilo e sempre pensando que se eu apresentasse alguma fadiga, era só dar uma pausa, pois sempre percorro os 200 km com no mínimo umas 3:30 horas de folga. Mas até para minha surpresa fiz este ultimo num tempo de 8:43 horas, quase uma hora menos que o outro. Eu sempre faço as paradas regulares e procuro me hidratar e me alimentar sempre do mesmo jeito, nunca deixando as paradas serem menores do que o necessário para “ganhar” tempo. Quem anda atrás de tempo – o que não é meu caso – tende a sair dos PC’s muito rapidamente, sem se alimentar ou hidratar suficientemente. Eu costumo fazer os Audax olhando todos os ciclistas, as bikes, os acessórios, equipamentos e vejo coisas que me deixa até curioso o modo de que se preparam para fazer o Audax. Quando troquei a MTB com pneu 1.25 por uma Speed para fazer Audax, fui muito bem pensado e convicto, não foi pela velocidade e sim pelo peso e relação de marchas mais longas. Claro que uma Bike Hibrida com aros 700 e pouco peso – sem amortecimento – é o caminho intermediário. Ainda vejo ciclistas pedalando um trator, isto é, uma MTB com pneus 2.0 ou mais, com um monte de peso agregado, suspensão, meia dúzia de caramanhola, meia dúzia de farol, (de dia), corrente super seca que se houve o barulho dela a mais de 100 metros. A menos que você ciclista seja um touro de canga (aqueles que puxavam os arados manuais na agricultura), um iron man, ou um mega atleta, ou um centauro (corpo de homem + cavalo e força de cavalo), desista desta idéia. Isso tudo no fim pesa um bocado, ainda mais se tiver vento lateral ou contra. Também vejo que a speed tá começando a ser a maioria preferida do pessoal, mesmo sendo o pessoal que faz em 11,12 ou 13 horas tem uma bela speed muita até de carbono. Talvez estes saibam do seu potencial de pedalada e não querem tornar a pedalada mais sofrível com uma bem confortável e pesada MTB. Bem, mas no fundo mesmo, não importa a Bike, se speed, hibrida, MTB, dupla, reclinada, pinha fixa, de ferro, aço, alumínio, cromo, carbono, com suspensão, rígida, com disco, aro 700, aro 26, pneus 1.0 ou 1.5 ou 2.0, o que importa mesmo é que cada um curta esta maravilha chamada bicicleta, e o Audax é o evento mais democrático para isso.

Por Carlos Polesello