sexta-feira, 12 de março de 2010

Bikes do passado, restauração e história - 1ª parte

As vezes fico procurando na internet idéias e curiosidades sobre a restauração de bikes antigas. Este vício de restaurar é algo que se reafirma sempre que vejo o trabalho de algum restaurador. Hoje em dia, a corrida dos fabricantes por bikes de aluminio, carbono e outros materiais alternativos, praticamente inviabilizam restaurações de bikes desta geração para o futuro próximo. Restaurar uma bike de carbono é complexo, caro, e talvez sem propósito. A fadiga é uma realidade que impede o restauro. Nos quadros de carbono, a fadiga é invisível e provável, especiamente com o aumento de km das bikes. Uma bike de carbono não foi projetada para durar, embora durem bem alguns modelos. Ninguém faria uma bike de passeio em carbono, seria incoerente... uma bike de carbono é para prova. Aluminio se popularizou baseado neste mesmo pensamento, especialmente nos projetos da década de 90, onde houve o grande "Bum". O mesmo problema do carbono, de forma menos grave, sofre o aluminio. O aluminio pode ser soldável, ficando muito bom o reparo, se o restaurador souber o que faz. Já o carbono... não tenho esta fé, mas também pq alguém usaria um quadro de carbono para restauro. Afim de que possa uma bike ser usada novamente em mesmo propósito, sendo de carbono, quando estiver aquém do novo tempo, não será almejada como em sua época. Ontem haviam quadros de carbono com 1800 gramas, hoje com 1300 gramas, amanhã... quem sabe, 600-900 gramas. Um quadro de carbono antigo, já pesa mais que o mais leve dos quadros de Cr-Mo da atualidade. A evolução construtiva faz isto... determina os tempos e o peso do resultado, simplesmente aprimorando a tecnologia de construção. Definitivamente, restauração é para os velhos e bons quadros de aço e de Cr-Mo, e duvido alguém que discorde, exceto para restaurações de pendurar na parede... onde os velhos e leves quadros de carbono, se integram com a memória de seus proprietários, trazendo saudade e quase um passagem pelo túnel do tempo. Velhos e bons quadros de carbono, agora com 20 anos... alguns aposentados, outros descartados, histórias de bikes que viveram a vitórias em provas de ciclismo. Histórias que não voltam, mas serão lembradas por garotos que hoje são pais de família, profissionais responsáveis, sonhadores sobre duas rodas, acomodados em seu novo tempo.

Roberto Furtado