terça-feira, 16 de junho de 2009

Algumas considerações sobre o trânsito de bicicletas

O trânsito de bicicletas, bem como de outras categorias de veículos, tem sido discutido por questões óbvias. Neste País, um Brasil de improvisos, autoridades e população agem somente com pressão, geralmente manifestada por um acidente horrendo ou outra situação chocante. O Brasil é um campeão em número de bicicletas de baixa qualidade (grande acessibilidade econômica) e cruza esta estatistica com a ignorância de ciclistas e motoristas, ambos desrespeitam o direito do condutor de outra categoria. Ciclistas de de classes sociais menos favorecidas, por oportunidades e vivência educacional, desconhecem o que alguns chamam de noção e conhecimento, e é claro que isto é um problema. Esta abordagem é fundamentada em conhecimento do ciclista, e não em classes sociais, que fique claro. É de se entender que ciclistas desconheçam as leis de trânsito, pois não existe um curso ou qualquer exigência aos proprietários de bicicletas. Já os motoristas passam por curso de habilitação, mas mesmo assim desconhecem suas obrigações em relação a ciclistas. Um País que não investe neste tipo de educação e de cultura, tem exatamente o tipo de resposta que se apresenta na atualidade... graves acidentes de atropelamentos a ciclistas. Não poderia ser diferente! Quem perde? Todos... todos perdem, pois a bicicleta é um veículo que favorece o desenvolvimento econômico e social por múltiplas questões. Em Porto Alegre (cidade onde vivo), a passagem de ônibus de circulação urbana tem valor de 2,30 reais (em 16.06.2009), e o trabalhador precisa realizar o trajeto de ida e volta, custando 4,60 reais para o empregador (ou para si proprio quando autônomo). E isto ainda é uma vantagem, pois é muito comum ver trabalhadores pegando dois ônibus para chegar ao trabalho, tarifação dobrada. Recentemente foram feitas reduções para algumas situações, geralmente custeadas pelo valor da passagem aumentado (sim, hão aqueles que acham que o governo custeia estas diferenças, mas quem paga por isto sempre é o cidadão). Escapemos deste assunto, pois apenas justificava a bicicleta como veículo, e não questionava exatamente as ações da prefeitura. A atual prefeitura tem apresentado belos projetos em outros segmentos, porém quando o assunto é bicicletas, as conclusões são lamentáveis. A prefeitura fez uma ciclofaixa em fente ao shoping barra, na continuidade da beira rio, que é uma verdadeira vergonha. Fora construida uma "calçada" com um pavimento de péssima qualidade, possivelmente o projetista não anda de bicicleta... é o que se conclui ao ver. Para piorar, neste lado da rua não há trânsito para pedestres, ou seja, juntaram ciclistas e pedestres uns contra outros para disputar o péssimo pavimento. Não há como se entender uma cidade deste porte que desmerece ciclistas enquanto o trânsito entra em caos nos momentos de fluxo intenso. Já é comum ver engarrafamentos em horários de meio da tarde, em avenidas como Goethe, Protásio Alves, e outras importantes vias. Uma cidade que dá as costas as bicicletas, tem futuro tão brilhante no trânsito, como a cidade de São Paulo... sejam bem vindos a nova criação, caos de trânsito, horas de retorno as casas.